"depois o verão passou sem deixar
rasto nenhum na nossa pele
e a alegria transformou-se numa parede
revestida de cal e pesadelos com
monstros que chegavam de mansinho e
entravam na nossa cama e ficavam
sentados iluminados quietos
com as garras escondidas
sob as nossas cabeças
e nada mais era preciso
para que o eco de um murmúrio que
não tinha tido tempo de fechar a porta
obedecesse às vozes de quem
tudo prometia
pássaros elfos álamos
só para não morrer sozinho
de madrugada"
Alice Vieira, Os Armários da Noite
30.10.17
16.10.17
15.10.17
Domingo. Um bolo no forno logo pela manhã para espantar a inércia com aromas de infância e conforto. Vislumbro a rua pela janela, o verão que teima em não nos sair da pele como promessa falsa de que tudo é eterno. A musica a perseguir fantasmas em cada movimento do corpo a se contorcer de danças de outros tempos.
E o homem do assobio continua na rua, assobia à rua, à vida, na mesma melodia de sempre, olhamos-lhe de soslaio mas nada muda a sua trajectória ou melodia.
Os miúdos chamam... sinal de que o presente urge, e a emergência do aqui e agora é sempre a batalha que vence. Já cheira a bolo...
6.10.17
Tenho tentado fugir de algumas rotinas que neste momento me desorganizam e por isso há dores de que fugimos... sem se perceber bem, voltamos a lugares perdidos e silêncios que nos trazem respostas.
Sem querer ferir ninguém e o caminho é breve, monótono. Noite de lua cheia e não houve marés de tempestade ou ventos novos, tudo no mesmo recanto da noite. Os mesmos sons, as mesmas vozes, aposto que o céu se parece com o de ontem...
5.10.17
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