Finalmente a noite... e entre o tanto que se quer dizer e o que morre no cansaço do corpo, fica apenas um fio de voz que se estende num rasgo de loucura, um devaneio doce de saudade.
Há sempre um piano no peito que não morre ao compasso das tempestades que a vida teima em repetir. E há um gesto de inércia preso a cada movimento que vem de dentro...
As miragens dos pássaros são puro poema aos meus olhos, poderia adormecer em tamanha leveza.
25.6.17
5.2.17
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Por ter de relance se visto de corpo inteiro ao espelho, pensou que a proteção também seria não ser mais um corpo único: ser um único corpo dava-lhe, como agora, a impressão de que fora cortada de si própria. Ter um corpo único circundado pelo isolamento tornado tão delimitado esse corpo, sentiu ela, que então se amedrontava de ser uma só, olhou-se avidamente de perto no espelho e se disse deslumbrada: como sou misteriosa, sou tão delicada e forte, e a curva dos lábios manteve a inocência.
Clarice Lispector, Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres (excerto)
Desenho por Andy
material - carvão vegetal
11.10.16
2.10.16
6.9.16
memórias...
"A memória organiza-se por caminhos.
Conhecemos as veredas do cérebro que temos de percorrer e nos conduzem às gavetas onde armazenamos imagens, odores, palavras, nomes, emoções, a inocência, pedacinhos do nosso eu e que sempre reabrimos para darmos valor ao passado, ou vida a pessoas que nos ensinaram a percorrer esses caminhos como borboleta a bailar em contraluz..."
Rui Vieira, Quase pescador
Excerto de texto retirado do Jornal de Letras, Artes e Ideias, 2016, n.1197, 8
"Quase pescador", Rui Vieira
Conhecemos as veredas do cérebro que temos de percorrer e nos conduzem às gavetas onde armazenamos imagens, odores, palavras, nomes, emoções, a inocência, pedacinhos do nosso eu e que sempre reabrimos para darmos valor ao passado, ou vida a pessoas que nos ensinaram a percorrer esses caminhos como borboleta a bailar em contraluz..."
Rui Vieira, Quase pescador
Excerto de texto retirado do Jornal de Letras, Artes e Ideias, 2016, n.1197, 8
"Quase pescador", Rui Vieira
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