fotografia de Andy
2.9.14
15.8.14
11.8.14
10.8.14
Lua cheia
Dedico esta música à Lua e seus infinitos encantos e angústias. Dizem que move marés e emoções. Eu sinto-me bafejada pelas suas magias no bem e no mal. Ainda que pura imaginação não quero arriscar, acho-a verdadeiramente poderosa.
Deixei a janela aberta e desejo essa luz branca no silêncio das paredes e no ar que respiro e que às vezes me falta. Poderia lhe dizer mil e uma palavras mas em vez disso aguardo segredos contados naquela solidão de um só céu.
És simplesmente linda...
8.8.14
Transparência
gomos de laranja mesa perfumada,
a espera
e as memórias que tocam o cabelo,
fez-me lembrar as raparigas que ouviam música,
colhiam flores e cerejas
como brincos que lhes enfeitavam os sonhos...
a espera
e as memórias que tocam o cabelo,
fez-me lembrar as raparigas que ouviam música,
colhiam flores e cerejas
como brincos que lhes enfeitavam os sonhos...
6.8.14
24.7.14
O Banquete de Patrícia Portela
Regresso agora à sua língua.
Ainda produz saliva.
Se ainda pudesse falar...
Se as palavras fossem uma substância física,
como as células,
como as componentes de um corpo, e eu pudesse separar cada
letra e reconstruir, através dos vestígios,
as suas últimas palavras.
Poderiam elas explicar?
Poderiam dizer-me por que é que ela não morre?
Se as palavras fossem o resultado físico do que pensamos e
se fosse possível arquivá-las na língua, ordenadas, prontas a serem faladas,
poderíamos perceber qual o padrão de todas as palavras
verbalizadas durante uma vida, como se fossem anéis de tempo de um tronco de
uma árvore?
Poderíamos ver quão antiga era cada palavra?
Quantas vezes tinha sido usada?
Quais foram ditas uma única vez?
Quantas nunca foram proferidas tendo tido o prazer de serem
longamente pensadas?
O que terá ela pensado mesmo antes de morrer e que, mesmo
ficando por dizer, ainda assim se deixou registar?
Patrícia Portela
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