20.5.14
18.5.14
suspiro
Perfume de verão, jeans azuis, o tempo de um cigarro que não
fumo, o instante, lábios-silêncio, horizonte quebrado, palavras no degrau do vento
stop quem as oiça quem as lembre, flor no rosto. Onde vai menina? Vermelho. O
caminho? E esta solidão prometida ao mar...
6.5.14
noite
começa a noite a abafar profundamente todas as coisas, é quase possível imaginá-la discreta mas eficaz, chegar como fumo azul negro devagar até aos lugares mais frágeis, arestas, caminhos, silêncios e por fim as estrelas a serenar qualquer dúvida. Acender uma vela diante da escuridão e ser sombra que finge dançar nas paredes ocas, pó de luz, sopro... ser lua redonda, tempestade, maré, brisa amarga e doce. Ser apenas, noite.
5.5.14
4.5.14
entardecer
entardecer vezes sem conta, estender os braços no parapeito da janela. Perder-se no ar denso, quente e quase possível de tocar... A árvore da rua e o silêncio. A palavra azul pelos muros das redondezas. Não pensar. Fechar a janela. Trocar tudo por um filme que passe à hora certa. Um cinzeiro vazio sem importância. A música prolonga-se pelas paredes, regresso depois do intervalo sem filme...
3.5.14
no obscuro desejo
no obscuro desejo,
no incerto silêncio,
nos vagares repetidos,
na súbita canção
que nasce como a sombra
do dia agonizante,
quando empalidece
o exterior das coisas,
e quando não se sabe
se por dentro adormecem
ou vacilam, e quando
se prefere não chegar
a sabê-lo, a não ser,
pressentindo-as, ainda
um momento, na aresta
indizível do lusco-fusco.
Vasco Graça Moura, "Poemas com Pessoas" (1997)
no incerto silêncio,
nos vagares repetidos,
na súbita canção
que nasce como a sombra
do dia agonizante,
quando empalidece
o exterior das coisas,
e quando não se sabe
se por dentro adormecem
ou vacilam, e quando
se prefere não chegar
a sabê-lo, a não ser,
pressentindo-as, ainda
um momento, na aresta
indizível do lusco-fusco.
Vasco Graça Moura, "Poemas com Pessoas" (1997)
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