7.4.14

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Certamente o silêncio das paredes e não conseguir adormecer, escrevo e remexo nas folhas a fervilhar de palavras, dobro-as em quatro, em cinco dedos e uma mão cheia de sal.

26.3.14

choradinho medíocre


Uma qualquer estrela e um ponto de luz tocaram nas palavras que andam adormecidas. São tantas as saudades de ser este o meu porto de abrigo... era uma sensação desmesurada de alegria e encanto, algo semelhante a um desabafo ou alívio de quando as coisas nos pesam e um brilho simples nos mostra outras cores e outros sons, assim era, quase um mundo de fantasia que perdurava diante dos meus olhos, uma paisagem para dentro do coração... do meu, e do coração de todos aqueles que por aqui passam. Isto não é uma despedida, é apenas um choradinho medíocre, por que as palavras já não sendo minhas aliadas, são pura miragem de um horizonte que brilhou...
ah, tenho pensado sobre tantas coisas, falado comigo de outras tantas, e rezado em tom de texto, narrativas, a maior parte das vezes monólogos que se chamam “angustia”, e na verdade sei que me perco e me perdi, sei ainda que há um fio condutor e tenho a certeza que nada é por acaso, e o meu fado não será tão diferente de outras pautas musicais. Tantas vezes não sei do que falo e provavelmente esta não será muito diferente. Falo da escrita mas também da vida e vezes sem conta ocorre-me pedir perdão a deus e faço-o, por não saber sorrir quando perco o rumo do sol, por não saber falar no vento certo, por olhar o céu à procura de corpos celestes e divindades que só em sonhos me falaram um dia. Ah... grito, grito em silêncio, se me curvo olho o coração, se me levanto olho o céu espelho da minha alma, sempre na esperança de uma dança chamada liberdade sem dúvida nos passos e nos tempos. Sei que amanhã acordo e terei tanta vergonha do que aqui escrevi hoje, mas a noite e a média luz têm destas coisas... Perdoem-me o silêncio nos vossos blogues, continuo a saciar a minha sede em vossas palavras, ainda que de outra forma.

22.2.14

Nuvens...

Nuvens... Hoje tenho consciência do céu, pois há dias em que o não olho mas sinto, vivendo na cidade e não na natureza que a inclui. Nuvens... São elas hoje a principal realidade, e preocupam-me como se o velar do céu fosse um dos grandes perigos do meu destino.
...
Nuvens... São como eu, uma passagem desfeita entre o céu e a terra, ao sabor de um impulso invisível, trovejando ou não trovejando, alegrando brancas ou escureando negras, ficções do intervalo e do descaminho, longe do ruído da terra e sem ter o silêncio do céu. Nuvens...

Fernando Pessoa
Livro do Desassossego

9.2.14

frio


Não me perguntem... hoje escrevi os mesmos desabafos de sempre, as mesmas linhas tortas, as letras desiguais e tudo a rebentar de esperança, fúria, desalento, um fogo na mão que o peito não aguenta... quase oração a um deus maior, assim como todas as manhãs ainda de céu escuro, diante das estrelas me rendo e me curvo por um caminho e uma luz que me salve.
Trago no peito este outono que sonha primaveras... frescura, perfume, pétalas na saia que rodo e enrolo entre os dedos como embaraços de vida.
E tudo isto me dói e com isto, as árvores nuas e o frio... o frio.