6.6.15

Noite...

Quase dia e nem uma ponta de sono a assombrar as paredes frias da casa. E quando for dia, um cansaço quase rochedo irá apoderar-se do corpo e deixá-lo pesado a arrastar insónias dia após dia. A noite nunca me foi pacífica, há sempre uma inquietação que se esgueira para lá dos céus, para lá do medo, e de todas as coisas que não se compreende. Pudesse caracterizar e diria é estar vigil enquanto o mundo dorme. Como diz Deleuze, um animal é um ser que está permanentemente à espreita. Nesse sentido é dar vida ao animal interior. Inquieto e atento. A absorver todos os silêncios e tonalidades de todas as sombras, as que encantam e as que se perdem.

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