4.1.15

Tempestades

Acordar trôpega embriagada por tempestades que assaltam horizontes. Não sentir firmeza em nada que se toque. Fugir do que resta. Abrigar sonhos e ferramentas num lugar desconhecido onde nada me comprometa e me prometa vida eterna de paz e felicidade. Fechar tudo isto num olhar triste e esconder o sorriso ingénuo que perdura mesmo que não haja fio condutor que me ligue a nada do que resiste e persiste dentro de mim. Dizer, sim, tens razão, mesmo sabendo que tudo é tão mais profundo do que as palavras sabem dizer. Ser eterna na forma de dar e sentir, no que me faz brilhar e libertar asas e gritar em esplendor. Ser tola enfim em flor de orvalho, cristalina visão quase inferno que me tatuaram na pele.

3.1.15

Luares


"direccionar a flecha primeiro para o próprio coração - defendem os mestres - para depois, sim, a poder projectar de modo certeiro, infalível, na direcção do alvo."

Gonçalo M. Tavares, Histórias Falsas