5.1.14

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"Escrever é também não falar. É calar-se. É gritar sem fazer ruído."

Marguerite Duras

tempestades

Tento permanecer de olhar calmo, escrever a palavra calma acima de todas as coisas e respirar dessa substância que enternece mas há sempre os ponteiros do relógio e o meu tempo, as tempestades e as folhas que se rasgam jamais sabendo unir... sei que abri portas e perdi chaves, sei que desiludi e não agarrei a hora em que o sol nasce para lá do olhar. Expliquei mal a timidez e só me resta murmurar com voz de algodão, mergulhar em mares serenos onde as ondas se desmancham como flores de espuma no areal. 
Desenhar passos na areia e dançar com algas nas mãos a canção do mar sereno a esconder tempestades.