14.12.13

silêncio da noite

Volto em silêncio antes que as paredes me oiçam. 
A prosa continua a deixar rasto mesmo que lhe perca o sentido, mesmo que o céu cinzento pinte os olhos e se esbata qualquer vestígio de brilho. 
Visto os jeans e o melhor casaco, sigo em frente, mãos escondidas nos bolsos, se até do rosto me perdi. O espelho mentiu-me... 
Os traços do sorriso não desabrocham junto ao coração, apenas esqueleto, traço e fogo, instante em explosão. Sei-lhe de cor, aurículas e ventrículos, sei pulsações e becos onde sangra desalmadamente... sei-lhe tempestades em copos de água, sei que cansado me dói. 
 Lá fora, há rios de cor, as luzes brilham diante da noite, um desafio à melancolia que se respira quando a noite vai alta.