8.11.13

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São papéis que rasgo com o que quero dizer, a noite arde lá fora, as horas seguem-se e é como se eu não fizesse parte de nada, tudo existe sem mim. Os candeeiros continuam a iluminar a rua. A lua permanece, as estrelas e o fresco da janela. O homem de barba que olha o horizonte todos os dias à mesma hora. Os carros que passam invariavelmente ao mesmo ritmo. E tudo acontece, menos eu. Rasgo papéis do que digo e cada vez menos digo. E cada vez mais me oiço e cada vez mais rasgo por dentro aquilo que não digo. Um dia e outro dia ainda...e tudo continua a existir.

4 comentários:

  1. uma matriz filosófica que poetizas de forma exemplar: a pequenez do ser na multitude de espaços e tempos em que se movimenta; jogo de marionetas em combustão lenta?!...

    belíssimo post com uma mensagem que agita, andy!

    beijos meus!

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    1. jogo de marionetas, como pano de fundo sombras da alma tantas vezes em desalinho com o movimento corpo.

      muito obrigada, amigo!
      beijinho grande!

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  2. Respostas
    1. Inês, mto bom reviver estes textos, lembrar-me das emoções e até sensações.

      um beijinho!

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