14.11.13

Al Berto - a paisagem prolonga-se


a paisagem prolonga-se num S de flores azuladas
 
ela entra nas ruínas

junto ao ângulo penumbroso da casa destruída

está vestida de branco quando ele lhe fala

ambos têm o olhar vago
ela recorta-se sobre um fundo de árvores nuas

ele está de pé encostado a um muro de pedra

ouve-se alguém dizer: não tenhas medo

somos apenas actores dum sonho paralelo à paisagem
os lábios dela tremem ou sorriem

ele encolhe-se mais contra a parede

o silêncio ainda não os abandonou
ela espreita-o

ele desenha-se exacto no centro do écran
      (de novo uma voz off)

um vento vertical adere à casa

onde as raízes dos cardos irrompem dos alicerces

e quando ela se vira para o interior das ruínas

prende-se-lhe o olhar num ponto inexistente
ele já ali não está


apenas a objectiva da câmara continua a segui-la


Al Berto

2 comentários:

  1. de cortar o fôlego - como tudo o que al berto escreve.

    beijo, querida andy!

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    Respostas
    1. a minha eterna admiração pela sua poesia...

      beijo, amigo!

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