a paisagem prolonga-se num S de flores azuladas
ela entra nas ruínas
junto
ao ângulo penumbroso da casa destruída
está vestida de branco quando ele lhe
fala
ambos têm o olhar vago
ela recorta-se sobre um fundo de árvores nuas
ele está de pé encostado a
um muro de pedra
ouve-se alguém dizer: não tenhas medo
somos apenas actores dum
sonho paralelo à paisagem
os lábios dela tremem ou sorriem
ele encolhe-se mais contra a parede
o
silêncio ainda não os abandonou
ela espreita-o
ele desenha-se exacto no centro do écran
(de novo uma voz off)
um vento vertical adere à casa
onde as raízes dos cardos
irrompem dos alicerces
e quando ela se vira para o interior das ruínas
prende-se-lhe
o olhar num ponto inexistente
ele já ali não está
apenas a objectiva da câmara continua a segui-la
Al Berto
apenas a objectiva da câmara continua a segui-la
Al Berto
de cortar o fôlego - como tudo o que al berto escreve.
ResponderEliminarbeijo, querida andy!
a minha eterna admiração pela sua poesia...
Eliminarbeijo, amigo!