26.9.13

Clarice Lispector


Isto não é um lamento, é um grito de ave de rapina. Irisada e intraquila. O beijo no rosto morto.
Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida. Viver é uma espécie de loucura que a morte faz. Vivam os mortos porque neles vivemos.
De repente as coisas não precisam mais fazer sentido. Satisfaço-me em ser. Tu és? Tenho certeza que sim. O não sentido das coisas me faz ter um sorriso de complacência. De certo tudo deve estar sendo o que é.


A sombra de minha alma é o corpo. O corpo é a sombra de minha alma.


Clarice Lispector
Um sopro de vida 

2 comentários:

  1. satisfaço-me em ser todos os infinitos que estas mãos souberem agarrar... o resto, apenas contingência da vida, porque da morte, dessa, não falaremos; ela nos dirá o que haja a ser dito.

    beijos, querida amiga!

    p.s. bonita a nova foto de perfil; com uma edição bem ao teu jeito.

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    1. "satisfaço-me em ser todos os infinitos que estas mãos souberem agarrar..."
      belíssimo, amigo! :-)

      beijinho grande!

      p.s. não estava com muitas certezas, mas acabei por deixar ficar... :-) obrigada amigo, um beijinho!

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