5.5.13

"Poema" de Maria Teresa Horta

Deixo que venha
se aproxime ao de leve
pé ante pé até ao meu ouvido

Enquanto no peito o coração
estremece
e se apressa no sangue enfebrecido

Primeiro a floresta e em seguida
o bosque
mais bruma do que neve no tecido

Do poema que cresce e o papel absorve
verso a verso primeiro em cada desabrigo

Toca então a torpeza e agacha-se
sagaz
um lobo faminto e recolhido 

Ele trepa de manso e logo tão voraz
que da luz é a noz
e depois o ruído

Toma ágil o caminho
e em seguida o atalho
corre em alcateia ou fugindo sozinho

Na calada da noite desloca-se e traz
consigo o luar
com vestido de arminho

Sinto-o quando chega no arrepio
da pele, na vertigem selada
do pulso recolhido 

À medida que escrevo
e o entorno no sonho
o dispo sem pressa e o deito comigo

 Maria Teresa Horta

2 comentários:

  1. oráculo ofegante sobre o branco da página; e o poema a deitar-se a seu lado - poemaço!

    beijinho, querida amiga!

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    1. adorei este poema, em flecha no coração de todos os poemas.

      beijinho enorme, amigo!

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