8.4.13

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Logo que acordo assombro à janela e respiro inteiramente o ar que paira como uma névoa, hoje pesada mas perfumada de um doce terra-húmida. Só me apeteceria ficar de cotovelos plantados na janela ao som de uma manhã cantada por pássaros tímidos. Baixo o olhar de encontro ao peito a vasculhar poesia negra que me possa salvar mas nada sussurra ou grita. Serão a cor dos dias que se seguem, morrendo de desamparo num rio sem nome. Não sei inventar páginas brancas e não minto no desassossego das minhas palavras para ti...

2 comentários:


  1. É preciso saber quando gritar para o interior da terra. É preciso trazer as raízes para dentro do peito e aí deixar crescer as árvores e ouvir os pássaros...
    Não deixemos que só a noite conheça os versos que escurecem todas as nossas manhãs.
    Há tanto ainda para escrever no peito...

    O que escreves - e como escreves- é um constante desafio a "vasculhar" o que nos salva.

    Um beijinho grande

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    1. querida amiga, obrigada pelas tuas palavras-poema, só tu sabes dizê-lo assim (belo)...indo até ao cerne das emoções.
      "há tanto ainda para escrever no peito..."

      beijinho enorme!

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neblina

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