28.2.13

do frio e os seus refugios

 Faz tempo que não escrevo com mão firme e convicção, mas não vale a pena estes lamentos repetidos sobre a escrita a fugir entre os dedos, e sobretudo agora a tiritar de frio por todos os poros. A cada raio de sol é nesse calor que me iludo para depois a cada sombra cair por terra e arrepiar cada milímetro de pele. 
 Há coisas que se transformam em refúgios, abstractos, seguros, indefinidos mas tão próximos e quase reais no invisível. Outros refúgios encontramos momentaneamente, uma fugaz sensação que nos fica como paisagens esperando por nós e por um sorriso. Como os morangos que hoje coraram-me os olhos, soberbos e vermelhos. E aquela rua tomou a cor de sol e morangos, num pequeno fragmento colorido que me libertou do frio.
Aqueço as mãos na chávena quente e recordo o dia, e espero a noite tranquila a dormir sobre o peito.

6 comentários:

  1. o tempo tem o seu tempo
    cabe-nos sabe-lo aceitar e vive-lo

    há sempre um sol que nos aquece, uma espera que se
    faz

    beijinho

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    1. verdade Laura!
      e há sempre o sol que nos espera :-)
      beijinhos!

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  2. "dormir sobre o peito" - e falas tu de mão pouco firme, entregue aos descaminhos do frio da escrita? :)

    beijinho, andy!

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    1. :-) aos encontros e desencontros com as palavras, aceitando o que daí vier...

      beijinho, querido amigo!

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  3. Andy, escreves de uma maneira que me envolves, sem dar por isso. Deixo-me ir na tua maré de palavras e só me apercebo que chego ao fim, quando não tenho mais nada para ler. É o melhor elogio que te posso fazer em relação ao que escreves. E é imenso, acredita.

    beijinhos.

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