27.1.13
25.1.13
frio
os relógios já se riem das insónias que nascem à hora marcada dos pensamentos. Não é tão doce assim imaginar flores de inverno e mantos brancos a adormecer pesados a cada lágrima de céu. Sentir o corpo pequeno colado ao frio que o vento segredou em cada poro de pele. Levar as mãos aos bolsos vazios e sentir o mesmo vento correndo os labirintos dos gestos.
o piano toca baixinho, não sei se chove lá fora, hoje os candeeiros nada me dizem e tudo é frio. quero fechar os olhos e adormecer mas antes ainda sentir uma ponta de sorriso crescer nos lábios, fosse o céu estrelado e a lua alta... tenho o corpo enrodilhado em pensamentos, fiz disso todo o meu dia.
21.1.13
os troncos das árvores
Os troncos das árvores doem-me como se fossem os meus ombros
Doem-me as ondas do mar como gargantas de cristal
Dói-me o luar como um pano branco que se rasga.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Doem-me as ondas do mar como gargantas de cristal
Dói-me o luar como um pano branco que se rasga.
Sophia de Mello Breyner Andresen
14.1.13
12.1.13
meteorologia
para dizer que parece nascer com o dia cores promessa de sol, ainda uma tímida estrela ao fundo no céu, rasgando o olhar até ao parapeito da janela. Respiro o frio da rua e rezo pelas árvores nuas. Entretanto há quem varra a rua e gostava de imaginar um jardineiro, libertando flores das ervas daninhas, recuando pedras e regando raízes. E a rua teria outro perfume.
Mais do que vento é apenas brisa que levo para o interior da casa, com desejo de dar descanso ao corpo. Rodear-me de almofadas e cobertores de lã coloridos, chávenas de chá e lareira acesa. Apenas desejo preso a uma nuvem de impossibilidades.
10.1.13
.
se me acordares ainda de noite, apaga os relógios do tempo e faz-me acreditar num tempo só.
deixa o piano tocar enquanto a lua arde como sombras nas paredes brancas.
leva-me a sonhar esse cintilante momento,
quebrar dias e noites, e apenas ser...
de mãos dadas anoitecer de cansaço, sem perder a sombra dos teus olhos.
deixa-me acreditar ou então deixa-me simplesmente ser...
8.1.13
7.1.13
brinco de pérola
um brinco de pérola enchia o espelho,
olhos fundos e mortiços de noites-lua-cheia.
sorriso longe, apagado há vários dias.
traços contidos, lívidos.
vestido leve, cor-de-pele, agarrado ao corpo cansado.
felizmente um brinco de pérola enchia o espelho...
olhos fundos e mortiços de noites-lua-cheia.
sorriso longe, apagado há vários dias.
traços contidos, lívidos.
vestido leve, cor-de-pele, agarrado ao corpo cansado.
felizmente um brinco de pérola enchia o espelho...
4.1.13
2.1.13
paisagens de silêncio
excerto do livro "o lago"
O vale do outro lado era belíssimo. Estava inteiramente cercado pelas montanhas, e o outono ali parecia mais avançado, as folhas das árvores já não eram amarelas, ganhavam um vermelho-escuro. A estrada terminava perto do lago. Mas antes de lá chegar, havia um caminho entre as árvores que levava até uma casa.
Tom perguntou a si mesmo quem poderia viver num lugar tão isolado. Não vira outras casas, não vira ninguém. O lugar era tão bonito que por momentos desejou ver alguém a andar na berma do caminho, um camponês com uma pá ao ombro, uma mulher com um cesto de vime.
Depois rendeu-se ao silêncio e ao isolamento. Sabiam bem.
O Lago
Ana Teresa Pereira
Ana Teresa Pereira
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