25.11.12

perguntas de chuva

nesta hora inocente à luz de um candeeiro,
pergunto:
o que abraça a tua respiração,
e em que sonhos te perdes?
enquanto a chuva me rouba o sono...


insónias

a chuva cai incessante e faz-me doer todos os movimentos,
não há pior que um céu em pleno desgosto.
daqui a umas horas, poucas horas, vou trabalhar.
deixarei o cansaço no labirinto dos lençois e as horas que ficaram por dormir.
procurarei na chuva, um pequeno rio de coragem que me leve ao destino (impossível).

21.11.12

20.11.12

caminhos

Caminhei rente ao passeio tosco, inacabado, entre pedras e ervas mal anoitecidas. Os candeeiros iluminavam o caminho e com passos inseguros seguia outro caminho, não o de todos os dias. Escolhi o trilho mais escuro e perdi-me, logo o aperto no peito até ao reencontro. Já não sentia o frio mas um calor suave nas pernas dava-me força para prosseguir. Mal cheguei ao comboio, o suspiro que tinha ficado pelo caminho. Fechei os olhos e imaginei um comboio que se perdia numa linha sem destino e chegava a uma estação desconhecida com cor de liberdade e perfume a primavera.
Seguir-se-ia o aperto no peito...

14.11.12

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gosto de sentir a noite cair aconchegante sobre o corpo cansado, o escuro embala e deixa falar todo o corpo... imagino a rua deserta de gente e reconforta-me esse vazio. Vejo a sombra do espelho com o candeeiro da rua a refletir um pequeno esboço dessa luz deserta. Já decorei cada passo que avisto da janela por isso mesmo no escuro encontro cada pedaço de horizonte.

1.11.12

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fotografia de Amelia Fletcher 

 bem fundo o murmúrio quieto das águas

ser noite


sou a casa que finalmente dorme, oiço as paredes nuas, aqueço-me no candeeiro,
sou o corpo que não dorme.
Sou labirinto de pensamentos,  som das sombras, silêncios que jogo à parede
e escorrem soltos sem destino.
Sou porto sem sentido.
Sou letras que o vento apaga sem deixar rasto.