19.10.12

passeio à chuva

já não faz sentido olhar de soslaio com pestanas cor-de-rosa e pupilas da forma dos sonhos, não faz sentido. Finalmente ainda que quebrando, viram-se páginas e ficamos apenas a decifrar códigos que moram no vento. A escutar os gestos que falaram por escritos e os pensamentos que soltaram plumas como numa brincadeira de criança, inocentes pensamentos... 
Sentar de frente para o corpo e escutá-lo, lamber as feridas que não saram, e nem num olhar vertical perceber onde perdeu-se a certeza das coisas. Rasgar as folhas que ficaram por escrever e delas apenas um sopro no ar, como um tiro de espingarda carregada de flores murchas. 
Um passeio a sós debaixo de chuva, e o tanto que pode lavar ao dobrar da esquina, onde a vida me espera.

2 comentários:

  1. De quando em vez há algo que nos deixa vazios...
    Excelente texto!

    Beijo :)

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