28.9.12

sentir o corpo doente e adormecer 
pensar que amanhã o dia nasce cinzento 
e as gotas caem sobre a pele 
como folhas que ardem

20.9.12

de tarde, bem rente à hora em que o sol torna sempre mais verde a árvore que espreita a janela. Tão verde de um verde inocente e perfumado. Nessa hora em que o tempo parece ficar quieto e os ponteiros do relógio parecem murmúrios de vozes apagadas, aconchego-me na música, e escondo-me por trás de uma caneta. Mas há letras que não se moldam pois as palavras nem sempre cabem na tempestade de um som... o som do pensamento.

3.9.12

rosas de papel

hoje fui de novo ao jardim pela manhã, o corpo apertado pela roupa, a suster a respiração de uma manhã de calor que derretia as folhas verdes  e dava-me de presente o doce perfume que enche o peito e que levamos na mão escondido para todo o dia. e são estes nadas que dão badaladas melancolicamente chamando por memórias. e pela mesma razão fotografei todos os bancos de jardim que ardem de calor numa nuvem de tempo perdido. e talvez pela mesma razão as flores empalideceram no chão de dias serenos. mas não me tirem o chão, sei que posso fazer rosas de papel e estrelas de verdade.

bafejo da lua