12.8.12

a espera

o cesto de flores ao fundo do corredor, na penumbra só definida a forma e as cores quentes de veludo. E fico ali... mesmo apressada continuava com a imagem perfumada que tornava mais leve o tempo. Olhei-a, sentada de mãos inquietas sobre o colo, cabelos brancos mais brilhantes de corte definido pelo rosto, olhos esquivos com um sorriso pelo meio, de voz trémula dizia estar à espera de alguém. Esperou. Esperou por ele até não ter mais sorriso entre as palavras. Até os olhos perderem-se no calor e no desalento das horas. Até as rugas parecerem mais fundas que noutros dias, e um branco ténue à volta dos lábios abafar uma pequena dor. Esperei com ela...
E mais uma vez as flores de veludo ao fundo do corredor.

2 comentários:


  1. Porque todos esperamos com os olhos postos em algo com outra cor, inscrito numa textura leve de veludo a acariciar o tempo.

    Bela esta espera partilhada!

    Um beijo

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    1. o conforto no olhar, e a espera não desespera...

      muito obrigada, amiga querida. Beijinhos!

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