27.7.12

lagoa

os fins de tarde deviam ter sempre as cores quentes que vi entardecer numa lagoa. O infinito roubava o olhar, como tantas vezes, mas esse mar rendia-se ao sol numa verdade absoluta que depois desaguava na lagoa, quase espelho de um céu azul raiado de sol. 

20.7.12

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fotografia de Jan Saudek

deito-me na agitação do vento
e entrego tudo
o dia, a noite
nem o vento se agita tanto...
mas há sempre o corpo-silêncio

remoinhos, tempestades
ficar imóvel e arder por dentro

8.7.12


hoje acordo com o cansaço a toldar os meus passos
são dias e dias agarrados aos tornozelos magros
e o chão a testemunhar...
mas há a brancura dos dias,
há pianos que tocam,
céu que brilha
e sorrisos-poema na janela que se abre todas as manhãs.

2.7.12

vazio

A noite parece de maior silêncio se oiço o vento lá fora. As paredes
terão ouvidos para os meus dedos que escrevem?
Paredes meias com um vazio e a casa parece emagrecer com o tamanho da noite.

1.7.12

Ao entardecer já não conto as folhas do chá, soletro
em silêncio o sabor da água dilatando o corpo.
Mas a cada doce que aflora os lábios, viajo àquelas tardes
em que nos sentávamos nas pedras do teu quintal,
saboreando canas de açúcar
até o suco dos dias nos ficar para sempre na memória.