13.6.12

caderno

agora uso um caderno de argolas, pequeno, simples de folha branca e sem capa que amorteça as quedas de um bolso esquecido. Tenho-o guardado à espera que as palavras sejam mais fortes que o tímido caderno vazio. Acontece escrever... mas depressa viro a página, e tudo se apaga, tudo o que pensei fazer sentido aos meus olhos. Resta-me saber se leio depois, com outros olhos que não os meus, outra pele, vestida de limbos e incertezas. Quem me dera soltar aos sete ventos. Mas não é o tempo, não é o dia. Dentro de casa, cabe o sossego, e se fosse vento, seria brisa e letras pequenas a fecharem-se num pequeno papel, que um dia o sonho desembrulhou.

10 comentários:

  1. escreve, escreve quando te apetecer mas usa uma caneta
    não voltes atrás para ler, vira a página quando voltar a vontade de continuar a escrever
    sem remorsos...

    beijinho
    [como gostei de encontrar aqui o Al Berto...]

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    1. não me esquecerei, Laura! :-)

      beijinho enorme
      (porque gostei tanto...)

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  2. É um caderno mágico onde as palavras aparecem lindas, como que por magia!
    Beijinhos,

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    1. :-) e a magia essa poderia perdurar para lá do horizonte, onde se escrevem as mais infinitas palavras...

      beijinho, mfc!

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  3. nenhum caderno se compõe de árvores apenas; nas suas folhas, pedaços de vida, vida escrita, adivinhada, desejada, sonhada, rasurada, exorcizada e, por isso mesmo, vida-vida.
    que bonito este teu caderno, querida amiga!

    beijo grande!

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    1. às vezes falta-me coragem para rasurar, exorcizar, gritar em vez de silenciar, até rasgar e começar de novo, porque as palavras às vezes descansam no sofá mais confortável, mas nem por isso mais compensador, e sendo a escrita aquilo a que me refiro, também com tanto de vida/a vida-vida...

      obrigada, amigo :-)!
      beijinho grande

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  4. Andy,

    O caderno está inelutavelmente associado à infância
    idade do sonho.
    Caderno é aprendizagem
    ensaio
    acto de criação
    que é a escrita.
    É ele que, em primeira mão, sustém a força das ideias.
    O teu caderno
    que rico e belo que ele é!

    Boa semana
    Um grande beijinho

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    1. de facto apela-nos para tanto... fizeste-me lembrar do meu primeiro diário quando miúda, com uma chave de guardar segredos.
      haverá sempre uma idade de sonhos num bocadinho de nós :-)

      obrigada Petrus!
      um enorme beijinho

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  5. Mesmo que os olhos sejam os mesmos, a cor visível será, com toda a certeza, outra.
    As páginas continuam, umas já escritas, outras à espera de vento ou brisa... algo que nos transformará. O caderno, esse andará sempre connosco, se grande for o nosso bolso.

    Um beijinho, amiga.

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    1. verdade, amiga! as cores... serão sempre de tonalidades diferentes porque nós também mudamos.

      as folhas que moram nesse bolso nem sempre se soltam, à espera do vento que falavas...

      :-) beijos grandes!

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