6.5.12

escadas de música

guardei os casacos, fechei as janelas e deixei a porta entreaberta para continuar a ouvir o piano que tocava. Passado todo este tempo que aqui moro, ainda imagino quem será o contador de melodias, o viajante de sonhos ou as mãos escondidas de quem toca. Sem hora certa ou dias marcados, de longe em longe há este piano-mistério entre as escadas. Fecho a porta, abro as janelas e as últimas cores do dia esbatem-se nos meus olhos cansados. Acalmo os passos ao compasso do corpo. Faço, desfaço, acrescento, dou, recebo, é esta a dança das mãos mergulhadas em silêncio, com tanto por contar do dia que trago. Disseram-me que a lua nessa noite pareceria maior que noutros dias comuns. Não estive ao alcance de tamanho poema.

6 comentários:

  1. a única diferença notável, apenas o seu brilho

    [divagar entre paredes e vizinhos, fazê-los viajantes é ainda algo permitido fazer]

    beijinho

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    1. e quando as paredes se forram de curiosidade maior a viagem :-)
      muito obrigada, querida Laura!
      beijos!

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  2. Não estiveste... dizes tu, e, no entanto, outro poema maior se escreveu na tua vida.

    Um beijinho, querida Andy

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    1. :-) obrigada querida e doce amiga!
      beijinhos!

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    2. Andy,

      Os sons que nos chegam de longe,
      envoltos em mistério...
      criam a melodia
      que embala
      a passagem do dia para a noite!

      Beijinho grande

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    3. e por tantas vezes, não fosse esse embalo nem as paredes adormeciam...

      beijinho, Petrus!

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