26.3.12

noite

fotografia de Andy

a noite a duas vozes na estrada prateada pela lua
caminho ténue com rasgos de azul no teu sorriso meu
e um ramo de primavera como prometemos ao tempo

23.3.12

Florbela


A curiosidade que tinha por este filme era enorme, pela mulher, pela poetisa e pela poesia. A obra e a biografia de Florbela Espanca inspiram o filme Florbela de Vicente Alves do Ó, protagonizado por Dalila do Carmo. A história retrata o período em que Florbela se afastou por um tempo da escrita, tentando levar uma vida normal e esperada por todos. É durante este período que Florbela perde o seu irmão e assim com este trágico acontecimento, volta a escrever. Foi uma aproximação à vida e pessoa, de quem nos encheu a alma com tantos dos seus belos poemas. É uma viagem pelo tempo e pela cidade de Lisboa, porque enorme era também a admiração de Florbela por esta cidade. Um filme português com imagens poéticas muito bem conseguidas, bons actores e música em consonância, vivenciei-o como um verdadeiro poema.

 

18.3.12

as noites da minha rua

fotografia de Andy 

Hoje a vontade de escrever falou mais alto que o silêncio, faz tempo que não acontece, mas este é um aceno, dizendo que estou viva e talvez o esteja a dizer a mim própria... porque há dias que só um fio de voz se ouve e demora-se num monólogo silencioso em que não há papel que lhe pegue. Uma melancolia que respira alto a cada pulmão, uma solidão de mim, numa saudade de ser... 
Respirei fundo à janela. E aqui fica um pouco da minha rua nesta fotografia. São as janelas quadros vivos para tudo o que a nossa imaginação queira. E haverá sempre uma chama acesa de algo que jamais quero perder, será esse imaginar, sentir e desbravar emoções que aqui e além nos move e paralisa, conforme aquilo que conseguimos ser em cada momento e segundo, do nosso tempo. Se por meio da escrita ou não, desejo que haja sempre um pensamento que voa, pairando nuvens de algodão ou flores perfumadas, e me devolva a sensação de estar viva para as coisas mais simples, como abrir a janela à noite e respirar o fresco que a lua me deixou... É bom sentir a rua calma, na linguagem que só a noite fala. Os candeeiros prolongam-se pela avenida e deixam um rasto de luz até o horizonte que vislumbro da janela. Há uma ou outra pessoa a deambular ao sabor do vento. As árvores estão vestidas de frio. E o céu continua a desenhar rotas de estrelas que não têm fim.