28.2.12

de coisa nenhuma

28 dias de Fevereiro e coisa nenhuma para escrever... apenas que arrumei partes da casa e que esse efeito prolongou-se até às coisas mais ínfimas do corpo. As mãos arrumam e a alma acompanha o ritmo...
agora sempre que a noite cai, sinto o aconchego calor da casa e nada me leva à janela. Da sala prolongo o olhar até às vidraças e entre a manta tricotada por histórias, fico a imaginar as paisagens de ontem e de amanhã. E esta contemplação incerta e vaga como chuva miúda, acontece como um arco-iris que se vislumbra mas não se toca... Deixei as flores no mesmo lugar, mas mudei-lhes a água e a mesa que um dia pareceu-me maior. E enquanto as coisas descansam há um sossego que que se vislumbra mas não se toca.

26.2.12

um simples olhar

                                              fotografia de Andy


... e plantei flores no meu céu

23.2.12

flutuo

fotografia de Martin Stranka 


flutuo nas últimas partículas do dia
quero ficar na melodia que a noite conta
apaga-me a luz

21.2.12

entardecer

a tarde acalmou e com ela o vento que descansa sobre as árvores agora serenas. Num desassossego as palavras faltam-me e já contam vários dias, não há papel que me acolha os sentidos e me beba as palavras... no silêncio das conversas com os caminhos e folhas caídas, já não escrevo. Já nada mais sei contar para além do que guardo...

14.2.12

de frio

fotografia de Andy

não seria necessário tanto frio, hoje nem a sensação de sol a ofuscar os olhos, iludia a necessidade de mais calor... e a pele escortejada por cada aresta de vento frio.
Os casacos já não aquecem e já sobram de aborrecimento, as mãos já não cabem nos bolsos de frio e o corpo reclama a viva voz.
Sei que a primavera me espera e com ela todos os jardins que floresçam à mais tímida ponta de calor. Esperam-me degraus espelhados pelo sol, e a cada passo quente, serei eu, serei eu...

10.2.12

.

fotografia de Martin Stranka
.
Eu não entendo bem, mas é comigo
que fala aquela fonte;

Gastão Cruz

8.2.12

na penumbra da luz e com a música que passava na rádio, sentei-me ao lado da noite... de mansinho, há sempre um fio de voz que trespassa as janelas das horas, e não sendo a voz de ninguém, apenas a minha latejando memórias e arrumando cada coisa no seu lugar, arrancando pétalas de bem-querer e não-crer às flores que têm toda a razão de ser... e porque um dia se falava de caminhos, com sombras de dúvidas, este será o meu caminho... E ainda que haja dias de frio, dissecando cada veia de sonhos e roubando cada esboço de sorrisos, haverá sempre outros, de rubor no rosto, adoçando as maças que sustentam o sorriso e prolongando um brilho a todas as sombras que se desfazem em luzes incandescentes...