29.1.12

(poema de Alice Vieira)

não me deixes morrer à sombra
dos domingos que cheiram a alecrim
e à traça dos vestidos guardados
e aos remédios que não puderam curar as feridas
perigosamente alastrando pela nossa pele
.

fotografia de Andy

27.1.12

simplesmente como o dia nasce... podia ser tão fácil.
Das palavras nascerem flores, nos campos algodão.
e branco seria, naturalmente. Suave e não pensar.
Um doce fumegar numa chávena de chá e ficar.
Chegar a horas, fazer tudo certo,
dizer um sorriso com os olhos cheios.
Lembrar que o sol volta e saber esperar
que um dia morno o mar me esperará!
Podia ser apenas estar e não ter de brilhar,
Se o brilho respira nos silêncios de cada um.
Ficar no abraço que a vida devolve
e tudo e nada, sempre e quase como um sopro.
Um simples sopro.

24.1.12

os descendentes


os descendentes, retrata a história de um homem que confrontado com o acidente da sua mulher, vê-se a-braços com a necessidade de um reinvestimento na relação com as suas filhas. Passando por uma dolorosa introspecção e caminhada pelo tempo e emoções.
um drama-comédia a não perder.

22.1.12

paisagens


infinitos jardins por descobrir em cada janela dos teus sonhos
correm de mãos soltas e corpo dançante entre um sonoro sorriso
e não há paisagem que mais embale os meus olhos...

21.1.12

moram desenhos

esboço . Andy

moram desenhos em cada recanto da casa
espelhos de olhos nos olhos
e conversas a meia-voz nos beirais dos medos
há um choro miudinho que atravessa o corpo,
sazonais queixumes de ossos e músculos
em misteriosos códigos de desalento
e não passassem os anos seria apenas vislumbre...
talvez as mesmas dores de quando o frio adormece nas asas
e a miragem é apenas tanto do que poderia ser

13.1.12

...de um vento norte

fotografia . Andy
.

que vamos fazer dos dias longos que se enrolam ao peito como nascentes em turbilhão... o sol brilha e um vento passa pelo ombro e de soslaio um olhar, e todos os rios parecem ter fim...não há calma que sossegue, se até as águas escrevem a sua história nas pedras que um dia choraram. Podias pedir-me silêncio se soubesse de onde nasce tanta voz, se adivinhasse o secreto tamanho de um coração...


1.1.12

timbre do tempo


as horas crescem sobre o silêncio da casa, ainda não procurei o novo dia pela janela fechada... falei junto aos joelhos, numa voz sumida e perdida no latejar das artérias da vida. Sonhei-a mais sonora, desprendida ao raiar do sol, com o timbre dos dias quentes, nos muros de quando era criança a desflorar pétalas de risos e deslumbramentos a cada sol.
Prolongo o olhar nas paisagens dos dias que passaram e dos que estão para além destes, e resta-me enrolar os calendários esquecidos nas paredes do tempo, e dar tempo ao tempo para que todas as vozes sejam timbres de um novo dia.

.


... o Lua fez na passada noite, 3 anos, agradeço profundamente a todos, o carinho e estímulo, com a certeza de que sem a vossa presença, a lua não teria qualquer brilho. Beijinhos! :-)


Feliz Ano Novo!