29.12.11

sem nome

Andy

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o que é uma janela numa tarde fria?
de que servirá?

as mãos vestiram-se de frio
à espera do sol,
ténues feixes de luz, esculpindo verbos, conjugações e razões

o que é um poema sem nome?
de que servirá?

imperceptível borboleta sobre a pele,
voa, pousa e volta a voar...

14.12.11

neblina

o rasto de fumo apagava-se na porta entreaberta e ficava o silêncio da noite e uma ou outra palavra por dizer. O cheiro do cigarro apagado e nem uma leva de ar... na linha fina dos olhos a sombra que se estendia até às paredes frias, recantos húmidos de tempestades ousavam ensurdecer de silêncio quem passasse... e nem o vento descolava os lábios, e nem estes saberiam dizer.

chegou a hora de encontrar o lugar para a noite ...

13.12.11

ácido

a única folha de papel
e o branco a engolir as palavras
os dedos a escorregarem entre os gestos
a voz a se fechar em flor
e enquanto desvendo a janela
e mordo o fruto
as palavras apagam-se no suco
que se derrama por dentro.

8.12.11



o homem que todos os dias fica no fim da rua com vista para a hora em que o sol se põe, e já a cor do dia parece bafejada por cortinados de vento que quebram toda a luz, o seu olhar proclama por um brilho invisível no sentido oposto à restea de sol que não me larga. Longe, e não intencionalmente, parece esperar o nascer de outro dia. Passo por ele, e é curioso como todos os olhares que fixam o aparente nada, conseguem abarcar o todo. E naquele cigarro aceso e a cada sopro, a espera de todos os dias...