25.11.11

o sol o muro o mar - Sophia Andresen

... Exterior exposto ao sol, senhor dos muros dos pátios dos terraços.
Obscuros interiores rente à claridade, secretos e atentos: silêncio vigiando o clamor do sol sobre as pedras da calçada.
Diz-se que para que um segredo não nos devore é preciso dizê-lo em voz alta no sol de um terraço ou de um pátio. Essa é a missão do poeta: trazer para a luz e para o exterior o medo.
Muros sem nenhum rosto morados por densas ausências.
Não o homem mas os sinais do homem, a sua arte, os seus hábitos, o seu violento azul, o espesso amarelo, a veemência da cal...

Sophia de Mello Breyner Andresen

4 comentários:

  1. "Diz-se que para que um segredo não nos devore é preciso dizê-lo em voz alta"
    ai, os silêncios que tantas vezes endurecem, sangram e morrem... fazendo morrer.
    beijinho, querida amiga! sophia é tantas coisas!!!

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  2. "No promontório o muro nada fecha ou cerca.
    Longo muro branco entre a sombra do rochedo e as lâmpadas das águas.
    No quadrado aberto da janela o mar cintila coberto de escamas e brilhos como na infãncia..."
    Sophia

    o caminho dos silêncios...e talvez esses mesmos verbos, pudessem ser libertos ao céu, ainda que só as estrelas ouvissem.
    Abraço, amigo!

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  3. Desocultar os medos, afastar o véu, revelar as sombras e com isso descobrir o tamanho do sol a entrar-nos na alma... esse é o caminho dos poetas e só Sophia, para nos dizer isso assim!

    Um beijinho

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  4. Maria João,
    e é tão grande esse descobrir, mesmo que de tão pequenas e frágeis coisas...caminhar com o sol nas mãos, ainda que por vezes ténue...

    Beijos!

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