14.10.11

Os olhos ardem-me, sem poesia ou metáforas, os olhos simplesmente ardem-me. Um vento fresco veio com a noite, e é bom senti-lo suave nos olhos. A avenida está sem graça, rente ao passeio fazem obras que nunca mais findam... felizmente hoje há luz nos candeeiros, porque ontem, olhar pela janela era um escuro maior que a própria noite. Tive que espreitar amplamente e confirmo, a lua e uma pequena estrela permanecem no céu.
Pela tarde, passei no Chiado, de fugida como num abrir e fechar de olhos... passei pelas esplanadas cheias, com os chapéus de sol abertos, com vozes e sorrisos a guarnecerem a tarde, passei pelos croissants, pelos gelados, pela igreja, pelos pombos aqui e ali... sem tempo, sem quase tempo para um doce... e de fugida, como num abrir e fechar de olhos.
E se sempre testemunhei um qualquer brilho inexplicável na cidade, hoje estava indiscutivelmente brilhante debaixo deste sol quente de outono.

6 comentários:

  1. há cidades invisíveis.
    há brilhos que ferem.
    há olhos que não desistem de [querer/crer] ver.

    beijinho, querida amiga!

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  2. os olhos, esses, nunca desistem...

    beijinho enorme, amigo!

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  3. há um certo tipo de olhar que não tem pressa,
    há um tipo de olhar que é edulcorante, mesmo que não adocicado,
    há a poesia no olhar.
    um beijo, Andy

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  4. Rejane,
    nunca a palavra "edulcorante" me soou tão doce como nestes teus versos :-)
    bonito!

    beijo,
    querida Rejane

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  5. E foi tanta a poesia que pousou no beiral dos teus olhos. É ao sol que se aquecem as sombras. Todas as sombras das noites escuras, mesmo que os dias apenas brilhem de fugida.

    É sempre tanto o que leio de ti, Andy...

    Um beijinho grande
    ( ainda bem que nos ardem os olhos! )

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  6. Maria João,
    tão bonito :-)!

    tomara que haja sempre vida a pousar no beiral dos olhos do meu coração!

    Abraço, amiga.

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