
O dia ainda não nasceu e já reconheço o cheiro do frio que entra pelos vidros. Nem vento, nem gotas de água... um sopro frio que embate contra a pele. Tento perceber a natureza desse afável mas também incómodo sentir, e deixo-me ficar... mesmo que vestisse os tecidos mais quentes, ia senti-lo igual. Todos os dias respiro bem fundo, mesmo que neste limbo ocasional, onde o corpo sente em silêncio porque as palavras não surgem no papel. Um dia farei uma fogueira das poucas palavras que ficaram, e mesmo com espinhos renascerão novas flores cor de sangue. Porque as cores esbatem-se com o tempo e prometi-lhe que mesmo nas horas e segundos de silêncio, haveria sempre cor no meu regaço. O tempo espera-me e secretamente desejo estar à altura das linhas que a minha mão contém, e na viragem de cada calendário quero sorrir mesmo que ardam flores com espinhos rompendo um novo amanhecer.
O piano continua a tocar...
Andy
ResponderEliminarQuando ardem flores com ou sem espinhos, romperá um novo amanhecer, mas nunca se saberá se melhor.
Na Líbia, mais uma vez, sepultaram a civilização, numa primavera, com muito sangue.
E as armas continuam a metralhar...
o piano continua a tocar... até porque há vozes que jamais se apagam.
ResponderEliminarbeijinho, querida amiga!
p.s. catpower, verdade?
Miguel,
ResponderEliminarconcordo verdadeiramente, "mas nunca se saberá se melhor"...
Líbia, uma triste realidade!
Beijinho
Jorge,
ResponderEliminarcatpower pois, já tinha saudades! :-)
Obrigada, amigo!
Beijinhos
Acredito que a musicalidade deste texto nos conduza a um amanhã melhor, mais interior, mais sentido...!
ResponderEliminarmfc,
ResponderEliminarno fundo tenho sempre essa esperança! até porque o piano continua a tocar... :-) quanto mais não seja dentro de nós!
Beijinho
Na musicalidade dos dias, os diferentes sons compõem e completam a universalidade à qual todos pertencemos. Todas as sensações, por diferentes que elas sejam, são necessárias à compreensão da vida. E isso é tão bom!
ResponderEliminarNa tua mão... do lado de dentro das linhas, nasce de ti esta poética tão bela. Por muito tempo que leve a nascer, o tempo é o fermento das melhores searas.
Beijinho grande, Andy
Maria João,
ResponderEliminartão bonito o que aqui escreveste!
concordo amiga, todas as sensações são necessárias para a compreensão da vida.
e tento acolher mais esta fase, com a tranquilidade das searas que falas...
beijinho enorme, querida amiga!