30.10.11

perfumes

mergulhava as mãos na terra molhada, juntava mais água
até desfazer a textura áspera entre os dedos,
sorria até aquele perfume tosco, derramar-se até aos punhos.
sabe tão bem o cheiro da terra molhada,
e ainda hoje lembro-me das cores dos muros
que rodeavam aquele sorriso...
hoje, outros muros, outras cores,
e talvez (só talvez), a mesma vontade de sentir,
estendo os braços em jeito de entrega,
mas só até aos punhos, a vida me disse assim...
e desfazendo os nós dos dias,
há sempre o perfume da vida que se arrasta comigo,
e nem sombra, nem sol,
apenas os gestos de infância que
guardam tanta certeza num simples sorriso,
sabe tão bem o cheiro da terra molhada...

6 comentários:

  1. Andy
    É bom ler a doçura que pões nas horas amargas...

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  2. Um poema amargo perfumado com os prazeres simples, melancólicos e nostálgicos de um retorno às origens que sempre nos purifica e renova.

    Beijinhos

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  3. Miguel,
    há sempre um ponto de luz no cinzento de qualquer céu

    Beijinho grande!

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  4. mfc,
    os perfumes que nos avivam a memória de quem somos...

    Beijinhos!

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  5. cheiros e aromas. a primeira porta de tantos mundos! suskind que o diga :)
    beijinho, querida amiga!
    p.s. para escutar este perfume inebriante: http://www.youtube.com/watch?v=qoL4bLK3a6Y

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  6. Jorge,
    inteiramente de acordo!
    aqui fica... :-)

    Beijinho enorme, amigo!

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