10.9.11

insónia I

A insónia tem as cores da penumbra, de um brilho matizado que se derrama pelo quarto. E não são sonhos mas sombras que assaltam as paredes que já dormem antes de mim.
O corpo rende-se ao parar do tempo que este momento parece prometer, ao silêncio profundo, ao sossego da rua, e ao respirar da casa.
Há um candeeiro pequeno com flores em tecido rosa quente, deixei-o no meio de tudo, e mesmo no escuro faz-me lembrar o perfume de uma flor ou tardes passadas rentes a um banco de jardim, juntando folhas e gestos guardados na palma da mão.
E os olhos continuam no tic-tac do relógio que não passa, como borboletas leves inquietas à espera do primeiro brilho do dia a tocar a janela húmida de orvalho.

12 comentários:

  1. Andy
    Para quem já teve insónia e lê a tua prosa, até apetece ter uma.
    Lindo.

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  2. Miguel,
    :-)) nem todas se revelam assim...
    a escrita é sempre uma companhia.

    Muito obrigada, Miguel.
    Um grande beijinho!

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  3. a companhia de sombras, nos tons matizado das insônias, Andy, revelam brilhos de escrita como os teus.
    um abraço pra ti

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  4. São momentos em que nos reencontramos e pensamos a vida!

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  5. Rejane,
    :-) belo, o aconchego da tua frase!
    Obrigada
    Beijinhos!

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  6. mfc,
    sem dúvida, a introspecção ao mais alto nível!

    Beijinho

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  7. na insónia, toda a cidade e a sua vertigem, pessoas que vão, pessoas que vêm, sirenes, buzinas, gritos e travagens, barcos no asfalto de água, automóveis em bailado decadente, voos sem bico, asas metálicas, fuselagens e vidros, o ardina a agitar o mundo enquanto o papel mente e o homem se esquece do que sente. a insónia. olhares que não se apagam, corpos que não dormem, cidades que não morrem.
    beijinho, amiga!

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  8. e o corpo estático. os sons e vozes em cantante rodopio como onda de mar feito que despenteia, desorganiza, arrepia. corpo em silêncio. olhar perdido, mãos que tocam o rosto em desalento e abafam o grito. veias que pulsam o sangue sentido. a insónia. desalinhado coração... cidades que não se deixam morrer!

    Obrigada, Jorge.
    Um grande beijinho!

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  9. Amiga Andy,

    O caderno está em branco.
    Abrimos a primeira página
    e somos invadidos por uma enorme angústia...
    é a difícil escolha das palavras para construir
    a primeira frase.
    Importa dizer o que nos vai na alma.
    Sentimos o turbilhão das ideias que se digladiam dentro de nós.
    Falta dar o primeiro passo,
    mas, eis senão quando, de forma mágica,
    a vida salta cá para fora
    e estende-se pelo papel.

    O retrato da insónia é perfeito e belo!

    Beijinho
    Boa semana

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  10. Petrus,
    belíssimas palavras, amigo.
    E não é tão bom quando o papel nos recebe de braços abertos? :-)
    muito obrigada
    beijinho!

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