24.9.11

nuvens de fogo no primeiro dia de outono

Regressava a casa e partilhava de um céu azul e quente, que contrastava com nuvens cinzentas surgindo num horizonte baixo, com laivos de sol.
Estava um trânsito tão denso quanto aquelas nuvens com uma presença cada vez mais imponente a cada metro que avançava. Percebi pouco depois que não seria um simples céu de outono.
E no local do meu destino um incêndio propagava-se a uma velocidade inigualável. Já dentro da minha localidade, nuvens negras e grossas nasciam do chão e ganhavam uma amplitude sem cessar. A agitação e preocupação era inevitável ... felizmente o incêndio contornou apenas estradas relativamente perto das escolas e habitações. O susto foi-se desvanecendo ao contrário do incêndio que até às 20h do primeiro dia de outono tingiu de negro os céus...

20.9.11

Eddie Vedder - Guaranteed



On bended knee is no way to be free
Lifting up an empty cup, I ask silently
All my destinations will accept the one that's me
So I can breathe...

Circles they grow and they swallow people whole
Half their lives they say goodnight to wives they'll never know
A mind full of questions, and a teacher in my soul
And so it goes...

Don't come closer or I'll have to go
Holding me like gravity are places that pull
If ever there was someone to keep me at home
It would be you...

Everyone I come across, in cages they bought
They think of me and my wandering, but I'm never what they thought
I've got my indignation, but I'm pure in all my thoughts
I'm alive...

Wind in my hair, I feel part of everywhere
Underneath my being is a road that disappeared
Late at night I hear the trees, they're singing with the dead
Overhead...

Leave it to me as I find a way to be
Consider me a satellite, forever orbiting
I knew all the rules, but the rules did not know me
Guaranteed

17.9.11

insónia II


e passa pelo ombro, o sopro da noite,
seco, frio como neblina que se repete
todos os dias por esta hora.

fala-se ao espelho
a gotejar silêncios,
e nem uma mão devolve...

de joelhos frios e cotovelos apoiados
na noite longa dos arco-íris adormecidos.

que fazer nos lugares destas horas...

10.9.11

insónia I

A insónia tem as cores da penumbra, de um brilho matizado que se derrama pelo quarto. E não são sonhos mas sombras que assaltam as paredes que já dormem antes de mim.
O corpo rende-se ao parar do tempo que este momento parece prometer, ao silêncio profundo, ao sossego da rua, e ao respirar da casa.
Há um candeeiro pequeno com flores em tecido rosa quente, deixei-o no meio de tudo, e mesmo no escuro faz-me lembrar o perfume de uma flor ou tardes passadas rentes a um banco de jardim, juntando folhas e gestos guardados na palma da mão.
E os olhos continuam no tic-tac do relógio que não passa, como borboletas leves inquietas à espera do primeiro brilho do dia a tocar a janela húmida de orvalho.