16.8.11

entardecer

O céu fica só mas com laivos de luz, e um vento fresco a lembrar o cheiro do outono, refresca-me quando abro a janela.
Tenho sentido o mesmo há uns dias. Não trocava por muito mais.
Às vezes já a noite é enorme e volto para sentir o mesmo. Já a janela decorou as minhas horas e o céu fitou o meu olhar.
Há um breve silêncio no entardecer como se a poeira pousasse e um frio acutilante chegasse rente ao peito e não largasse mais... e às vezes faço tudo cantando, outras nem só o silêncio, apenas a janela que decorou as minhas horas.

4 comentários:

  1. as janelas são os nossos primeiros olhos.
    recordas-te do poema do gedeão "as janelas do meu quarto"?
    só para ti:

    Tenho quarenta janelas,
    nas paredes do meu quarto,
    sem vidros nem bambinelas,
    posso ver através delas,
    o mundo em que me reparto.

    Por uma entra a luz do sol,
    por outra a luz do luar,
    por outra a luz das estrelas,
    que andam no céu a rolar.

    Por esta entra a Via Láctea,
    como um vapor de algodão,
    por aquela a luz dos homens,
    pela outra a escuridão.

    Pela maior entra o espanto,
    pela menor a certeza,
    pela da frente a beleza,
    que inunda de canto a canto.

    Pela quadrada entra a esperança,
    de quatro lados iguais,
    quatro arestas, quatro vértices,
    quatro pontos cardeais.

    Pela redonda entra o sonho,
    que as vigias são redondas,
    e o sonho afaga e embala,
    à semelhança das ondas.

    Por além entra a tristeza,
    por aquela entra a saudade,
    e o desejo, e a humildade,
    e o silêncio, e a surpresa.

    E o amor dos homens, e o tédio,
    e o medo, e a melancolia,
    e essa fome sem remédio,
    a que se chama poesia.

    E a inocência, e a bondade,
    e a dor própria, e a dor alheia,
    e a paixão que se incendeia,
    e a viuvez, e a piedade.

    E o grande pássaro branco,
    e o grande pássaro negro,
    que se olham obliquamente,
    arrepiados de medo.

    Todos os risos e choros,
    todas as fomes e sedes,
    tudo alonga a sua sombra,
    nas minhas quatro paredes.

    Oh janelas do meu quarto,
    que vos pudesse rasgar,
    com tanta janela aberta,
    falta-me a luz e o ar.

    beijinho, querida amiga!

    p.s. acabo de replicar ao teu desafio. obrigado pelo teu carinho!

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  2. É lindíssimo este poema, diz exactamente tudo o que uma janela pode acolher nos olhos da alma!
    que é um mundo de coisas...

    Obrigada por enriqueceres este momento.
    Beijinho, amigo!

    p.s. já lá fui ler e reler, o desafio, e eu é que tenho a agradecer muito! :-)

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  3. Andy,
    Este é um grande texto, pleno de subtilezas, sentires e anseios...
    Gostei mesmo, caramba!

    Beijo :)

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  4. AC,
    :-) muito obrigada pelas tuas palavras!
    foram motivo para um grande sorriso.

    Beijinho grande!

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