13.7.11

foi neste mês que cheguei a Lisboa, numa noite quente e sem luz que me mostrasse as paredes onde passaria a respirar, e a desmontar os dias para os entender depois. A angústia nesse dia, lembro-me, ardia no peito como a vela que derretia e escondia o rosto húmido. Disseram-me, amanhã está quase e com a luz do sol sentes diferente. E um sol atrás do outro, fui abraçando os dias e os anos, até aqui. Na volta do verão, lembro-me sempre.

12.7.11

hoje fiquei a escrever no silêncio ao contrário de tantas vezes...e quanto mais no silêncio me deixassem mais eu talvez escrevesse. Se as palavras se soltassem hoje, seriam um emaranhado de novelos de lã coloridos que desbotavam as suas próprias cores. Faltam 15 minutos para a hora em que tudo deveria estar pronto e arranjado, e nada parece assim...
Sei bem que há um silêncio azul denso que me adormece o bater rápido do coração, que às vezes não consigo conter de tão rápido, e é mais do que consigo suportar, como se saísse do peito e me cansasse e se cansasse de mim.
Parti uma fatia de bolo, olhei-a cheia de esperança porque há sempre qualquer coisa que serena.

4.7.11

respirar


quem dera respirar tudo de um céu redondo, encher o peito da calma com que caem as folhas lentas de outono, e escutar o silêncio perto, rarefeito, perfeito.
Deixar o corpo cair num tapete de verde veludo e abafá-lo com o perfume quente da terra molhada. Sentir os olhos adormecerem no momento, e sem dor levá-los longe até onde só os pássaros no horizonte tocam. Descolar os lábios e sussurrar beijos ao ar que se respira.




(fotografia - Lagoa Azul em Sintra)