29.6.11

sombras


há sombras de cansaço que me perseguem um dia a seguir ao outro, como passos compartilhados pelas ruas que me devolvem o vento num abraço frio. embrulho o cansaço num sorriso, viro as costas ao que o corpo diz e escondo-me numa madeixa de cabelo. Até parece que não hesito e que não espero... mas tanto que os meus passos denunciam.

22.6.11

luz

os miúdos rebentam balões coloridos e gargalhadas no meio da sala que já espera a noite cerrada, enquanto o céu pardo ainda faz promessas com uma réstia de sol presa a um pedaço de nuvens que me adormece as memórias e me eleva ao presente. E ainda que o sossego fosse a respiração desejada, acredito no som sonoro que habita todas as paredes da casa e deixo-me ficar na turbulência dos momentos. E se ainda existir rasgos iluminados de certezas ou incertezas, continuarei a desvendar os dias, como se a descoberta fosse a luz de todas as razões para continuar aqui. Eles continuam a sorrir, tenho de ir.

16.6.11

15.6.11

d'água


a água corre no seu leito, corre sem espera ou demoras
límpida como só assim ela sabe ser
e enquanto isso nem as flores ao vento me namoram
se eu já nem delas faço coroas

canto nos lábios o sussurro do silêncio
se as canções já nada dizem sobre mim

escreverei um dia os sonetos da lua
se as velas ardem-me os olhos fundo da alma
não saberei jamais... ser um pouco d' água.

12.6.11

Cosie Cherie - Traveling



Os Cosie Cherie integram Novos Talentos Música FNAC'11 e anunciam mini digressão em antecipação do seu álbum de estreia.
www.facebook.com/cosiecherie

11.6.11


"Passamos a grande Ilha da Madeira,
Que do muito arvoredo assim se chama;
Das que nós povoamos a primeira,
Mais célebre por nome do que por fama.
Mas nem por ser do mundo a derradeira,
Se lhe avantajam quantas vénus ama;
Antes, sendo esta sua, se esquecera,
De Cypro, Guido, Paphos e Cythera."


"Os Lusiadas", Canto V
Luis de Camões


Porque as saudades são sempre muitas! :-)
Deixo-vos ainda, esta possibilidade de navegar pela Ilha da Madeira - http://www.visitmadeira.pt/

site gentilmente cedido por Miguel Loureiro, autor do blogue contra-facção.
Obg Miguel!

10.6.11


fiquei então à escuta porque já rouca de silêncio
resta-me inquietar com o pulsar das raízes sob o meu corpo
com o magma que corre como fogo nas veias que ardem

7.6.11

clave de sol

deixei a música tocar entre as quatro paredes
quando voltasse já elas me diriam o segredo
que as pautas guardam numa clave de sol
mas nada aconteceu no meu regresso

desenho rosado

surgiu no rosto o desenho rosado de uma lágrima que ainda não caiu
talvez me tenham cravejado poros abaixo os pesadelos que me assaltam a noite
que nem uma mão me agarra nas profundezas de um mar tão profundo
que me perco, que grito em silêncio e que só de olhos abertos por fim,
fica a respiração como um mar ofegante contra as rochas,
uma vez e outra e outra...
volto ao espelho, continua o rosado lacrimejo seco,
secas se tornaram talvez as lágrimas,
abrindo socalcos na pele
explicando ao corpo nomes que ele próprio desconhece

5.6.11

Recordo-me para sempre daquele jardim, mais do que da forma, ficou-me o verde que ladeava também o quintal e lhe dava uma cor sombria e acolhedora, isto mesmo quando passávamos pelo poço frio, alto e cheio de nenúfares. A sua água era renovada com as chuvas que partiam os tapetes de nenúfares e que se formavam com a mesma facilidade.
Uns metros à frente deste sombrio, passando por entre a parede de arbustos, os olhos abriam-se para o céu que se deitava sobre o mar longínquo, e ali ficávamos por tempos até serem horas, a fitar o mar e a saborear canas de açúcar altas e cheias de suco que nos adoçavam os lábios e as conversas da idade.
Era criança, usava vestidos de flores e socas de madeira. Sentava-me com o Gonçalo no degrau de pedra vermelha. E o tempo era uma coisa vaga porque o momento era mesmo aquele e talvez falássemos dos gatos feios que passavam, dos nenúfares partidos, da osga que insistia em existir lá fora, da sopa que ao lume já cheirava. E entre o perfume da sopa e da roupa lavada que surgia branca imaculada no estendal, comíamos goiabas frescas e sumarentas que a minha avó nos descascava nos intervalos da sua agilidade doméstica.
E se ainda hoje derreto no palato da memória as sementes de goiaba fresca, são infinitas as memórias que me assaltam os sentidos.

4.6.11

A árvore da vida


.

Elenco: Brad Pitt, Sean Penn, Joanna Going, Fiona Shaw, Pell James, Crystal Mantecon, Jessica Chastain, Lisa Marie Newmyer, Jennifer Sipes, Tamara Jolaine, Jackson Hurst.
Direcção: Terrence Malick
Género: Drama





O universo, o imenso, a origem da vida desde a mais ínfima célula até ao coração das emoções.
O amor, a angústia, a procura de respostas, a desilusão, o estar, o recordar...
E sem muitas palavras porque é um filme talvez diferente mas belo para se ir percebendo, e sentindo...

1.6.11


hoje posso compreender o mais ínfimo grão de poeira. cada grão infinitamente pequeno da extraordinária viagem. e, se por acaso despertar algures na vastidão de outras vidas, humildemente, desejaria apenas ser fragrância breve de uma flor.

Al Berto