2.4.11

lá fora os candeeiros anunciam mais uma noite que se estende pela rua não-silenciosa, corre um fresco ligeiro que afaga os cabelos e de imediato faz o olhar se perder até ao fundo da rua. O bar que mora uns metros abaixo, já toca a música que todas as noites de sábado contagia as paredes mais silenciosas. E da varanda, são tantas as vozes que fazem eco à saída e entrada da porta preta e pesada. O eco propaga-se em retalhos de memórias porque fora um dos bares onde eu e a sandra, gostávamos de ouvir música, na idade em que as estrelas caminham ao compasso de uma emoção desmesurada. Tão pouco imaginaria que anos mais tarde, viria a viver uns tectos acima de tanta emoção. Foi com ela numa tarde de crepes com açúcar e canela, que aprendemos a assobiar alto, fora uma promessa cumprida, só saímos daquela janela quando os rapazes da rua nos ouviram com sucesso, e nós com uma cabeça cheia de tonturas e gargalhadas de tanto oxigénio perdido. Fecho as cortinas à noite e às memórias que vivem junto à pele como num arrepio que nos conserva o quente do coração. E daqui... uns tectos acima da música, o silêncio venceu e os olhos brilham por tamanha tranquilidade, ainda que fugaz, é este o momento que preciso.

10 comentários:

  1. Hugo,
    :-) obrigada
    um grande beijinho!

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  2. Jorge,
    se de outono também se tinge tantas vezes o olhar...

    beijinho!

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  3. E sabes amiga, essa brisa de memória que às vezes, tão inesperadamente, nos afaga a alma é o suporte para todos os silêncios que precisamos de vencer, quando se fecham as janelas.

    Tão bonito quanto verdadeira e contagiante é esta memória.

    Um beijo

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  4. "Fecho as cortinas à noite e às memórias que vivem junto à pele como num arrepio que nos conserva o quente do coração. E daqui... uns tectos acima da música, o silêncio venceu e os olhos brilham por tamanha tranquilidade, ainda que fugaz, é este o momento que preciso."

    Estive contigo nesta varanda poética...lindo!

    Deixo um beijo...

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  5. Maria Loão,
    concordo em pleno contigo, são estas memórias que nos devolvem a essência do que fomos e somos como num carrosel de emoções que o tempo transforma.

    Obg amiga :-)
    Beijos!

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  6. Márcia,
    obrigada por te partilhares nesta varanda poética, sempre boa a tua presença :-)!

    Um grande beijinho!

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