13.3.11

cotovia


Séraphine Louis
.

esquece as manhãs longínquas
em que o teu olhar apenas ousava contemplar
as vagas de vento
entre as árvores feiticeiras

esquece o cabelo longo
que te escorria inconscientemente belo
sobre os ombros ávidos de maresias

(há tempestades atracadas
no sal do teu olhar)

lembra-te
a cotovia traz no bico a semente
que os corações já não plantam
nos areais infinitos dos seus dias

à noite
nas badaladas-centopeias
permite-te voar
entre as dunas esquecidas
e os eucaliptos – doces

sofre pelo relógio naufragado
mas alegra-te pelas pegadas
de calor que ainda te lembras

soletra a palavra estrela na tua mão
e leva-a cravejada numa qualquer canção do teu olhar

16 comentários:

  1. Andy
    Fiquei sem saber se o poema (lindo!9 é de tua autoria. Se for, parabéns, se não for, igualmente.
    Há saudade por todo o lado, entre o tempo e o espaço, mas sobretudo de afetos que já foram...

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  2. Passando pra te desejar um ótimo domingo Andy

    abraços

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  3. A eterna e linda procura!
    parabéns.

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  4. Miguel,
    sim, foi eu que escrevi. queria falar dos tempos em que a vida era consideravelmente mais leve, descontraida, a idade das descobertas e do deslumbramento, aquela idade que o tempo leva tão depressa...saudades da adolescencia, talvez (mas não sei se consegui)

    Beijinho!

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  5. Obrigada Hugo!
    desejando para ti, uma óptima semana!

    Beijinho

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  6. mfc,
    somos eternos viajantes de sonhos...
    :-)
    Obrigada pela visita!

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  7. Muito bem escrito, diria até fabuloso!
    Bj

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  8. Lilá(s),
    :-) deixas-me assim sem palavras...

    um sincero obg!
    beijos

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  9. mesmo sem estar identificada a autoria vi logo que era teu. sabes porquê?
    só por estes versos:

    "esquece o cabelo longo
    que te escorria inconscientemente belo
    sobre os ombros ávidos de maresias"

    tens aqui imagens muito bonitas!
    beijo doce, docinho

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  10. Em@,
    :-) obg querida Em@!
    sabes, é raro ou nunca identifico quando é da minha autoria, se calhar faço mal... mas quando não é meu, quando não é escrito por mim, coloco sempre mas sempre o autor.

    p.s. tenho tantas saudades dos cabelos longos :-)

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  11. canção de embalar ou simplesmente o caminho da liberdade?
    belo texto, doce amiga!

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  12. um texto divino, lindo...
    parabéns!
    Beijo.
    Laura

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  13. foi pelas saudades que o identifiquei... e não só!
    beijo, querida Andy!
    __________
    fazes bem em identificar a autoria seja ela de quem for. sabes que há dias, andava no Face um texto surripiado do blogue "Assobio rebelde" e cujo administrador se assumia como autor, atribuído ao Mia???? e ainda por cima, o texto não tinha nem uma só das características da escrita do Mia...
    e casos idênticos a este acontecem muito com O Fernando Pessoa, a Clarice Lispector,o Carlos Drummond de Andrade, o Luís Fernando Veríssimo...
    outro beijo

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  14. Jorge,
    talvez ambas, já que sem o embalo das asas, a música não acontece...

    Beijinho, amigo!

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  15. Obrigada, querida Laura :-)

    Beijinho grande!

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  16. Em@,
    imagino as confusões que haja em torno disso...
    Mas, é verdade que deveria colocar o meu nome naquilo que escrevo, vou ter mais atenção nesse aspecto.

    Obg Em@, beijinho!

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