23.3.11

mora na rua das casas perdidas, onde o tempo parou, e o vento já por lá não passa...
de olhos mortiços, vazios, nos dias sem fim e sem dó, lábios imperceptíveis entre a severa barba escamoteada à navalha seca.
foram poucas as palavras e maior o silêncio.
o quarto mergulhado no odor do corpo e no pó demorado sobre a mesma solidão, a mesma que atravessa dias, anos e histórias por contar.
imagino os fantasmas que sobrevivem entre as paredes húmidas e o pobre chão...
e ali se deixa estar, noite e dia, dia e noite, tanto faz...parece.
apenas fica...

4 comentários:

  1. Li desolação.... e decadência!
    Por vezes sinto-me a morar nessa rua!

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  2. mfc,
    uma realidade que nos morde a alma, a solidão de muitos idosos que se esqueceram e foram esquecidos.

    Há sombras desta verdade nas ruas e nos dias de todos nós.

    Bjinho!

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  3. Quando a dignidade se esvai, leva com ela a luz dos dias claros. Ficam apenas as memórias, cada vez mais com sabor a fel...

    Beijo :)

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  4. AC,
    sem dúvida.
    lindíssima a forma como expressaste o teu sentir.
    Obg
    Beijinho :-)

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neblina

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