25.3.11

Luisa Sobral - Not There Yet


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Luísa Sobral é uma recente cantora portuguesa que lança agora o seu primeiro albúm
"The Cherry On My Cake". Tem uma pitada de jazz e pop, e gosto imenso da sua voz.

tão doce

Porque há coisas tão doces quanto uma flagrante delícia... impossível não partilhar!
espreitem aqui

24.3.11

palavras de vento

O lápis desliza infinitamente sobre a folha branca, as palavras parecem flutuantes resquícios de pensamentos. Escorrem líquidas entre os dedos, livres, dançantes... Percorrem as arestas de uma emoção que volta em círculo no arquear de um gesto ou no afago de uma voz. E olho lá fora o dia que se esbate em frente às palavras. Sei que a noite virá densa e quieta entre as árvores que o vento parou.



23.3.11

mora na rua das casas perdidas, onde o tempo parou, e o vento já por lá não passa...
de olhos mortiços, vazios, nos dias sem fim e sem dó, lábios imperceptíveis entre a severa barba escamoteada à navalha seca.
foram poucas as palavras e maior o silêncio.
o quarto mergulhado no odor do corpo e no pó demorado sobre a mesma solidão, a mesma que atravessa dias, anos e histórias por contar.
imagino os fantasmas que sobrevivem entre as paredes húmidas e o pobre chão...
e ali se deixa estar, noite e dia, dia e noite, tanto faz...parece.
apenas fica...

13.3.11

cotovia


Séraphine Louis
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esquece as manhãs longínquas
em que o teu olhar apenas ousava contemplar
as vagas de vento
entre as árvores feiticeiras

esquece o cabelo longo
que te escorria inconscientemente belo
sobre os ombros ávidos de maresias

(há tempestades atracadas
no sal do teu olhar)

lembra-te
a cotovia traz no bico a semente
que os corações já não plantam
nos areais infinitos dos seus dias

à noite
nas badaladas-centopeias
permite-te voar
entre as dunas esquecidas
e os eucaliptos – doces

sofre pelo relógio naufragado
mas alegra-te pelas pegadas
de calor que ainda te lembras

soletra a palavra estrela na tua mão
e leva-a cravejada numa qualquer canção do teu olhar

8.3.11

flor de chuva

O dia termina e não pressinto a lua alta e imensa num céu de estrelas. Já o murmurar da noite segreda-me ao ouvido enquanto um violino toca, tal como um véu de palavras soltas ao vento. Repouso o corpo, sinto-o levitar de cansaço e aceito a fragilidade de ser este corpo que todos os dias morre por esta hora e todos os dias renasce para um qualquer momento. Fecho os olhos, até porque já não me consigo ler de olhos postos na vida. Sinto um fugaz ardor que inflama o coração como se fora a serpente que morde com hálito de flores e adormece a razão por instantes, por sonhos e exaustão.
A chuva continua a cair e este ano não consegui que me fosse indiferente, nem o vento que fere a pele, nem o frio que contamina os ossos até ao sorriso esquecido nos dias de sol. E cada dia que passa, abro a janela na esperança de uma primavera, e em cadaVerificação ortográficadia, há sempre uma primavera à minha espera.

4.3.11