28.2.11

o complexo de sagitário


"O que perdi nessa noite, disse-lhe, foi a possibilidade de associar uma beleza terrena ao infinito que se abria à minha vista quando no intervalo dos seus cabelos, o céu me surgira; mas ao mesmo tempo a relação entre o seu seio na minha mão e a Via Láctea fizera-me perder o contacto com a realidade, atirando-me para uma região abstracta onde não conseguiria mais do que perder-me num intervalo entre o infinito e a eternidade em que a minha pequenez me transformava num simples átomo, e essa sensação fizera-me empurrá-la de cima de mim e afastando os arbustos, ter-me despedido num brusco adeus..."

Nuno Júdice

6 comentários:

  1. Andy
    O Nuno Júdice este aqui nas Correntes d'Escritas, em carne e osso e a falar.
    A descrição copular é linda...

    ResponderEliminar
  2. Miguel,
    conheço alguns dos seus poemas (gosto muito) e este é o primeiro livro de Nuno Júdice que leio.
    Em Fevereiro, o Instituto Cervantes, deu início ao ciclo "Encontros na Poesia" e quem fez a sua abertura foi também Nuno Júdice, entre outros. Não tive possibilidade de assistir, com muita pena, porque os poetas recitaram uma parte da sua obra e troca de ideias sobre a criação poética, deve ter sido muito interessante.
    Obg Miguel, vou ver.
    Beijinho

    ResponderEliminar
  3. Já é o segundo livro que leio de Nuno Júdice, dei por mim sublinhando frases. Gostei da tua escolha.
    Bj

    ResponderEliminar
  4. Lilá(s),
    obg pela tua partilha.
    estou muito no início mas também estou a gostar.

    Beijinho grande!

    ResponderEliminar
  5. nuno júdice é, hoje, um dos maiores poetas portugueses vivos. até as pedras ganham singular encanto na sua escrita. perspectivas são o que nos oferece neste belo texto que partilhas connosco.
    um beijinho, querida amiga!

    ResponderEliminar
  6. Jorge,
    só conhecia alguns dos seus poemas que gosto muito, e enchi-me de curiosidade quando vi este livro exposto nas prateleiras, ainda estou a ler, depois digo de minha justiça :-)

    Beijinhos, amigo!

    ResponderEliminar

neblina

o rasto de fumo apagava-se na porta entreaberta e ficava o silêncio da noite e uma ou outra palavra por dizer. O cheiro do cigarro apagado e...