15.2.11

eco


talvez sem voz que se desenhe no papel até porque já todos os papéis rasguei em frente ao silêncio e nem as letras sobreviveram.
Confesso, é tão reconfortante às vezes cerrar os lábios até à língua e digerir sozinha, fragmentos invisíveis que estilhaçam artérias. Virar as costas às razões, definições, estratégias, contextos, fungos e organizações...
Gritar a pleno coração e ficar à escuta do eco que volta suave e adormece as noites mal dormidas. Alisei a almofada e mudei-lhe a cor, os sonhos agradeceram.
Suspiro de alívio até porque consigo antecipar a sensação de uma leve brisa tocar a pele e porque prometi às flores jamais as esquecer.
Fico à escuta...

18 comentários:

  1. mel e limão, Andy, :)!!!!
    Agora a sério, meu mestre diz muitas vezes que existem alturas que o descanso é o melhor treino. Quando não existirem palavras e a afonia resitir, espera, com calma!
    Em breve as palavras voltam, mesmo que embrulhadas em silêncio.
    E voltaram, não?
    Brilhante!
    Beijos
    Laura

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  2. Laura,
    venho tendo essa experiência... concordo em pleno, nada melhor que repousar a voz e porque não, também com mel e limão? :-))há-de ser sempre um aconchego.
    hoje consegui...
    Obg querida Laura
    Beijo!

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  3. Andy,
    saber esperar e saber escutar são dois dons de valor incalculável.
    aos poucos aprendemos isso.;)
    gostei. muito.
    beijo doce, docinho.

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  4. Que naco de prosa poética admirável, Andy!!!!

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  5. Andy

    amiga minha

    Tantas vezes as palavras precisam adormecer na garganta, tornar a voz rouca e sumida, para que os sonhos tomem a cor alvoraçada dos pássaros.
    Tantas vezes os dias descoram os lábios e nada parece querer nascer de uma alma que julgamos vazia.
    Mas sabes, é nesse intervalo que nos achamos hera viçosa, a invadir todos os espaços cinzentos da vida e é na distração própria desse tempo, que a voz ressurge, tão nítida quanto a depurada água da chuva.

    Um abraço tão aconchegante quanto o sol que precisas dar às flores que prometeste não esquecer.

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  6. Alisar a almofada e mudar a cor é uma boa solução! olha só que lindo ficou o teu texto!
    Bjs

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  7. Andy
    Quantas vezes apetece "Virar as costas às razões, definições, estratégias, contextos, fungos e organizações..."
    Mas é preciso chegar onde nos propusemos.
    Vou linkar amanhã e obrigado pelo eco dos teus sentimentos.

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  8. Em@,
    verdade, e de saber guardar e usar o que daí surgir.
    Beijo com doce eco :-)

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  9. Ibel,
    :-) um imenso obrigada!
    Beijinho

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  10. Maria João,
    obg pelas tuas palavras, são sempre um tiro de beleza que nos atinge de forma fulminante :-)
    Beijinho amiga!

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  11. Lilá(s),
    é, sem sombra de dúvida, até as rugas do rosto agradecem :-)
    Beijinho e um imenso obg!

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  12. Olá didium :-)!
    muito obrigada,
    beijos!

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  13. Miguel,
    ah se apetece!! o segredo será encontrar formas de o contornar, mantendo aquilo em que acreditamos...até parece fácil falando assim :-)
    um imenso obg Miguel
    Beijinho!

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  14. querida amiga, um pequeno gesto, como voltar o rosto à almofada, consegue operar transformações incríveis. quantas vezes os papéis rasgados se reconjuntam numa tela com.sentido quando o caleidoscópio do olhar força uma diferente perspectiva?
    há flores que não esquecem, como há barcos que nunca ouviram falar do mar... conhecer uns e outros é jamais esquecer... para poder.
    um beijinho!

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  15. "há flores que não esquecem, como há barcos que nunca ouviram falar do mar..."

    belíssimo amigo! obg pelo teu sentir que sempre me proporciona uma viagem de imagens.
    Beijinho

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  16. "porque prometi às flores jamais as esquecer..."

    Lindo!!

    Vim agradecer as pétalas de palavras que tu tão generosamente deixou em meu blog... Ver um pedacinho do meu Conto re-editado por vc lá,me fez feliz...

    Imenso abraço Andy!

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  17. Obg Márcia :-)

    e o seu conto é uma delícia, faz sonhar!
    outro abraço

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