
"O que perdi nessa noite, disse-lhe, foi a possibilidade de associar uma beleza terrena ao infinito que se abria à minha vista quando no intervalo dos seus cabelos, o céu me surgira; mas ao mesmo tempo a relação entre o seu seio na minha mão e a Via Láctea fizera-me perder o contacto com a realidade, atirando-me para uma região abstracta onde não conseguiria mais do que perder-me num intervalo entre o infinito e a eternidade em que a minha pequenez me transformava num simples átomo, e essa sensação fizera-me empurrá-la de cima de mim e afastando os arbustos, ter-me despedido num brusco adeus..."
Nuno Júdice


