13.1.11

lugares

naquele dia de temporal encostei o carro no jardim, fiquei a apreciar como o vento incansável desfolhava as árvores, como o jardim parecia desprotegido entregue à abundante chuva e como os candeeiros de luz amarela, eram a única coisa quente em que os olhos poderiam pousar.
Ao longe, os carros continuavam o regresso a casa. Avistei um conjunto de prédios onde no meio como um ponto de luz estaria a casa onde passei a maior parte da minha adolescência. Tinha uma varanda grande com uma vista infinita, fazia daquele lugar, o meu lugar, onde celebrava as alegrias e chorava as tristezas ao céu, ao vento e ao dia que nascia sempre diferente. Tinha flores em vasos pequenos e médios. Os pássaros do meu pai. As roupas perfumadas que adorava estender ao sol. E tinha uma forma perfeita para conseguir estudar ou escrever naquele pedaço de chão com vista para o mundo.
E talvez haja sempre um lugar nosso, onde longe de quase tudo aquilo que nos é possível abstrair, consigamos parar e tornar a nossa voz maior e leve.
Talvez aquele jardim fosse esse lugar naquele momento, porque agora, os lugares acabam por ser momentos fugazes que guardo na memória e levo no coração.

6 comentários:

  1. Existem lugares que são nossos , que estão no nosso coração ...

    Eu adoro passar por sitios que vivi, que me deixaram boas recordações e bate uma saudade , uma saudade boa de sentir ...faz-me sorrir e recordar o que já vivi .

    Beijinho grande Andy

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  2. Andy

    Este texto é de uma interioridade tão reconfortante que, também eu "viajei" até ao meu lugar, que também lá está, ao longe como um ponto de luz. Com vasos médios e o piriquito do meu pai. Com a roupa perfumada pelas mãos da minha mãe e com toda a história que guardo agora e me fortalece.
    Amiga, no meio do temporal, não é só a luz quente do candeiro, a única que nos aquece...

    Um enorme beijinho

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  3. lugares. recantos interiores. jardins suspensos sobre nada aguardando a tua chegada para se encherem de flores e olores de primavera. do lado de fora, apenas o fumo e o pó.
    beijos sem chuva, amiga!

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  4. Blue,
    de facto criamos raízes nos lugares que mais nos alimentam a alma, e é quase inevitável precisar deles ou através da memória ou desfrutando na realidade...felizmente que existem.

    Beijinho enorme Blue!

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  5. Maria João,
    que coincidências boas :-)

    sem dúvida que as memórias nos fortalecem e sem bem nos apercebermos são uma lufada de ar fresco que nos serena a alma.

    Beijo enorme querida amiga!

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  6. Jorge,
    e quantas saudades da primavera em flor!

    Beijo com esperança no sol

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