31.1.11

viagens

acelerar, travar, parar, ponto de embraiagem, primeira, segunda, terceira mudança, acelerar, travar, parar, ponto de embraiagem, travar, ponto de embraiagem, parar, ponto de embraiagem, acelerar, continuar, ultrapassar, travar, travar, travar...
...
que saudades das viagens de comboio, aquele respirar monótono que paira no ar, e o abandono do corpo e mente consoante a necessidade.
Há sempre uma nostalgia que se estende ao longo da paisagem e se perde no horizonte colorindo o olhar. Um nascer do sol que se fixa na janela onde derramamos sonhos e um pôr-do-sol que não regressa e que leva um pouco da alma do dia.
Um caminhar de pouca terra junto ao chão e muito perto do céu que não nos perde de vista.

30.1.11


O toque leve do vento frio nos vidros foscos, a lágrima de água que escorre na janela quando se fecha. Os dias que passam densos, vagarosos como as imagens que se repetem lentas.
Seguro as estrelas baças de luz, não lhes sinto o calor mas não lhes desisto como numa prece sem volta e sem dança...

25.1.11

dedos ocos

O piano toca dois tectos acima, sigo-lhe o rasto e deixo arder o pensamento. Ando com a voz rouca e os dedos ocos sobre o papel. Tentei mudar de folha...mas nada.
Visto-me devagar, dispo-me devagar e o espelho não mente. Colecciono os efeitos do frio na pele, e até o sangue talvez esteja descorado até às válvulas.
Hoje adormeci com os olhos postos numa miragem de paz, num sossego perfumado e imediatamente senti o corpo ceder e os olhos fecharem-se sem dor. Há fases de querer adormecer profundamente e acordar tarde, muito mais tarde, num além sombras ou dores, e voltar com a primavera na pele, de flor no cabelo e lábios cor-de-rosa.

24.1.11

Corrigindo Beethoven


Embalados pela música em “Corrigindo Beethoven”, este filme retrata os três últimos anos de vida de Ludwig van Beethoven, entre a realidade e ficção, uma contagiante história escrita em pautas cheias de emoção.
Sendo o ponto alto do filme, a recriação em palco da estreia da sua grande obra: a Nona Sinfonia. músicos e coralistas entoam as notas e vozes mais arrepiantes dirigidas pelos dedos de Beethoven e Anna Holtz.
Porque a música é o que está mais perto do céu...
“E a música nunca mais será a mesma...”

trailler

18.1.11

orvalho

cansativos dias cinzentos de musgo pálido sem flor, arrastam consigo a melancolia que se espraia na cal debotada pelas águas lentas...
leve soluçar de um pássaro que já não canta, ao longe a saborear pequenas gotas de orvalho. Há águas que não se lêem, quem dera que as pedras as reconhecessem...

15.1.11

carta de um idoso


retirado de um jornal de informação, clicar sobre a imagem para ler mais facilmente,
não será novidade ou surpresa, ainda assim...

13.1.11

jardim

.
Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,
calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes.
Sequências de convergências e divergências,
ordem e dispersões, transparência de estruturas,
pausas de areia e de água, fábulas minúsculas.
...

O jardim, António Ramos Rosa

lugares

naquele dia de temporal encostei o carro no jardim, fiquei a apreciar como o vento incansável desfolhava as árvores, como o jardim parecia desprotegido entregue à abundante chuva e como os candeeiros de luz amarela, eram a única coisa quente em que os olhos poderiam pousar.
Ao longe, os carros continuavam o regresso a casa. Avistei um conjunto de prédios onde no meio como um ponto de luz estaria a casa onde passei a maior parte da minha adolescência. Tinha uma varanda grande com uma vista infinita, fazia daquele lugar, o meu lugar, onde celebrava as alegrias e chorava as tristezas ao céu, ao vento e ao dia que nascia sempre diferente. Tinha flores em vasos pequenos e médios. Os pássaros do meu pai. As roupas perfumadas que adorava estender ao sol. E tinha uma forma perfeita para conseguir estudar ou escrever naquele pedaço de chão com vista para o mundo.
E talvez haja sempre um lugar nosso, onde longe de quase tudo aquilo que nos é possível abstrair, consigamos parar e tornar a nossa voz maior e leve.
Talvez aquele jardim fosse esse lugar naquele momento, porque agora, os lugares acabam por ser momentos fugazes que guardo na memória e levo no coração.

10.1.11

.

O natal já está arrumado em prateleiras, sacos, e sombrinhas. Os desejos já estão confinados às possibilidades prateadas das estrelas. E os dias prosseguem com a mesma naturalidade, seja velho ou novo ano.
Em casa, as viroses insistem e apoderam-se dos mais pequenos, apesar dos desejos pedidos. As forças não estão redobradas, escasseiam e perco-lhes o fio à meada.
Mesmo assim, espreitei o céu pela janela, lá está a meia-lua e uma estrela luminosa, gosto tanto quando se juntam assim, independentemente de que noite for...
e este foi o mais pequeno, mas longo momento de silêncio deste dia.

5.1.11

rosas


_ eram rosas!
_ como? se meras palavras eram...
_ não vês? no canto dos lábios em flor, soletradas no silêncio das pétalas quando nascem.
_ palavras de chuva?
_ não, encontrei-as no sol que pinta o meio dos lábios.
_ no sol?
_ ... que há-de brilhar todos os dias!
_ ... o quanto chove todos os dias!
_ atrás de cada gota haverá sempre um raio de sol e
as rosas desabrocham na água que caminha rente às arestas do coração.

1.1.11



o dia acordou cheio de sol aqui,
um bom sinal para começar o ano!

.










entretanto estive aqui nesta página
a matar saudades do Funchal, e aqui fica

também para quem goste de viajar!