1.12.10

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nem me tinha apercebido, mas pelos vidros foscos da janela, o dia quase começava naquele momento pardo e de silêncio.
O corpo cansado... ainda parecia noite, deixei-me ficar nesses sossegados movimentos anoitecidos. Só quando inevitavelmente tive de ignorar o descanso, guardei o cansaço na vontade de fazer e estar.
O sol já entra pela casa, essa estrela que ilumina e aquece até ao meio da alma.
Quero ainda hoje sentir o sossego de todas coisas, pô-las nos seus sítios, dar-lhes nomes abstractos, conferir-lhes o pó, lavar o invisível, arrumar o que nem sempre se sabe como sentir, e por fim... talvez saborear, porque voltarei a desarrumar...

14 comentários:

  1. Andy,
    Já aqui não vinha há uns tempos, mas confesso que já tinha saudades do ar que por aqui se respira, impregnado de enorme sensibilidade.
    Levo comigo a ideia de "lavar o invisível", talvez com a esperança de tornar as coisas mais visíveis...

    Beijo :)

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  2. há um sol que aquece até ao meio-dia da alma como se de um lado estivesse a ordem e do outro a desordem, numa combinação mágica que nos faz baloiçar de cá para lá, de lá para cá. é seguramente nas partes que nos construimos inteiros.
    um beijinho, doce amiga!

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  3. A tua alma sensível transparece na poesia que pões nos textos com que descreves a vida.gosto sempre muito.
    beijo no coração, Andy!

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  4. AC,
    a ideia é mesmo essa, nem só o que se vê, poderá ser sentido com maior clareza, se também à alma lhe dermos a possibilidade de se revitalizar... como água que lava o invisível.

    Bem aparecido AC :-), também senti a tua ausência.
    Beijinho!

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  5. "há um sol que aquece até ao meio-dia da alma..."
    Jorge, gostei tanto do que escreveste.
    ...nesse baloiçar, talvez more o equilíbrio de todas as coisas.

    Beijinho amigo!

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  6. Em@,
    um imenso obg pelo teu olhar!
    Abraço no coração

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  7. Andy

    Os momentos mais preciosos da nossa vida, são aqueles em que saboreamos o sossego de todas as coisas. É aí que os dois lados da nossa alma se encontram e equilibram, embora saibamos que tudo voltará a ficar irrequieto dentro de nós, porque dinâmicos são os dias e o que deles sentimos.

    Um beijinho amiga.
    Obrigada pela tua sensibilidade que, ofertada desta forma, torna a vida mais leve.

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  8. Maria João,
    "...tudo voltará a ficar irrequieto dentro de nós", e talvez seja esta, a certeza, de que estamos vivos e que não passamos pela vida indiferentes.

    Amiga, muito obg pelas tuas palavras.
    Beijo enorme!

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  9. Andy,
    eu sou muito atenta :) posso não parecer, mas sou. às vezes posso andar distraída, mas o meu 6º sentido, assim como os outros estão sempre alerta.
    beijo

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  10. Em@,
    nunca te senti distraída. Já eu, sou do mais distraído que possa existir.
    6º sentido, no meu, já acreditei mais...
    :-)
    Por isso Em@, aproveita essas tuas qualidades, sei que o fazes!

    Beijinho Em@

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  11. "...guardei o cansaço na vontade de fazer e estar." O quotidiano pintado à espátula.
    Mas,
    "Que bom não cumprir um dever..."

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  12. Enquanto assim for, será seguramente menos difícil.

    Beijinho Miguel!

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  13. Saboreei as tuas palavras e arrumei-as, talvez logo as volte a desarrumar para lhe sentir a delicadeza!

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  14. Lilá(s),
    gostei muito do teu trocadilho...
    obg p'lo teu sentir.

    e não há nada como desarrumar para voltar a arrumar com mais certezas e vice-versa :-)

    Beijos!

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