3.11.10

...das memórias

não oiço o piano há uns dias... fechem o palco e deixem as luzes acesas porque eu já não sei brilhar. Ficarei quieta, prometo.
Há um leve, pequeno fervilhar nas costas da casa e as janelas fecham-se por dentro à escuta.
A jarra ainda tem o perfume das flores que lhe prometi. Se não fossem elas, não teria a fotografia tanta cor...
O que mais adoro, os candeeiros baixos e dourados como o sol, aquecem-me tanto o coração, mesmo numa noite fria. E as noites virão caladas e sorrateiras, talvez não dê por nada, mas como uma boca escura e profunda, nos seus abismos cairei, tenho a certeza.
Não haverá senão o doce calor das vozes, sim, esse tamanho aconchego! Ah, e as memórias... já só resta a carta que me escreveste, o papel gasto e as letras já sumidas, uma vergonha dirias tu. Para quê? Não sei. Chega-me saber que ela lá está, e mesmo que já não a consiga ler, saber que a escreveste para mim.

17 comentários:

  1. Minha Querida
    Há memórias assim que ficam num papel, nuns versos e no perfume de uns beijos...
    Mas há quem não tenha nada...As nossas memórias, ao menos estão vivas e exalam um sentimento que nunca nos deixarão cair...
    Beijos carinhosos!
    Graça

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  2. Graça, olá :-)!
    de facto, as memórias vivas são um alento e uma força insubstituível.

    Beijinhos!

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  3. Não sei se gosto das memórias...mas sei que adorei a suavidade do teu texto, um encanto!
    Beijinho

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  4. Andy

    As memórias alimentam os nossos dias, e nos dias tristes, são o xaile quente que nos aconchega e nos permite continuar em frente sem medo do frio.
    Escrito com uma sensibilidade e uma ternura verdadeiramente tocantes, este é o sopro de uma alma preenchida de essência, como uma espiga pelo bago do trigo. Na minha modesta opinião, penso que deves investir cada vez mais neste registo, uma vez que nele te revelas uma escritora verdadeiramente especial.

    Claro que adorei!
    Tinhas dúvidas, amiga?!

    Abraço-te com muita ternura.

    Passa por:
    http://mimoseselos.blogspot.com/

    Deixei lá um mimo para ti! :)

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  5. é bom ter a capacidade de armazenar memórias. horroriza-me ver perdê-las e pensar que isso me possa acontecer.

    O teu texto, cheio de poesia, deixou-me a pensar nisto!

    beijo

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  6. Lilá(s),
    também há memórias que nos trazem tristeza aos pensamentos, por saudades, ou por dor na alma... seja como for, somos fruto delas, são o perfume da nossa derme.

    Um obg imenso,
    Beijinho gd

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  7. Maria João,
    assim deixas-me sem palavras :-)
    um imenso obg pelas tuas palavras amiga!

    Beijinho!

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  8. Maria João, obg pelo miminho, prometo lá passr entretanto.
    Abraço!

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  9. Em@,
    talvez, as memórias fiquem para sempre tatuadas, ainda que inconscientemente.

    Obg Em@ e beijo imenso

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  10. O que seria de nós sem as nossas doces memórias...
    Existe uma caixinha que as guarda todas mesmo sem nós sabermos. :)

    beijinho*

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  11. Olá flor!
    tão verdade... como uma caixinha de música que abrimos para saborear :-)

    Beijinho grande

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  12. andy,
    a melancolia, nos teus textos, vem vestida com as cores e os cheiros do outono. há uma leve melodia que embala a humidade onde se (re)veste os sentidos. deste lado, sinto, ainda, a janela embaciada pela pálida respiração dos dias...
    particularmente tocante!
    um beijinho!
    p.s. torga é um gigante.

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  13. Lindo... tal como disse a Graça "há memórias que ficam no papel", gostei mesmo!

    Conheça os meus trabalhos em:
    www.minhaalmaempoemas.blogspot.com
    www.queriaserselvagem.blogspot.com
    www.congulolundo.blogspot.com

    Com um beijo

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  14. Jorge, o outono tem uma doce melancolia contagiante...
    obg amigo!
    p.s. foi inevitável fazer referência a Torga, no teu desafio "acorrentados". O "Diário" é o primeiro livro que leio deste autor. Sei que sou muito verde no caminho da leitura, sei o pouco que li e o tanto que gostaria de ler...
    Já passei pelo viagens e são já tantos os acorrentados :-) parabéns amigo!

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  15. José Sousa,
    obg pela sua presença e testemunho.
    conhecerei concerteza os seus espaços, assim que me for possível.
    Beijinho

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  16. A casa, espaço vital, habitada por objectos e memórias que dão sentido ao respirar de todos os dias. Sons que conseguem irromper através das paredes, insistindo em insinuar-se no equilíbrio interior. E, dando sentido às coisas, o calor das vozes...
    Lê-se devagar, com mil cuidados, não vá a gente perturbar a tranquilidade da casa...
    Gosto sempre muito, Andy!

    Beijo :)

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  17. AC,
    palavras tão certeiras as tuas, jamais perturbam :-)
    Obg AC!
    Beijinho

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