
juro... hoje quase senti o vento que vem com a neblina, segredar-me ao ouvido. Já o corpo cedia aos passos lentos, e de olhos postos no horizonte deixava o pensamento voar como só um pássaro sabe existir nesse pleno levitar. Fez-me pensar nas tempestades da alma que ficam no corpo, assim como as árvores guardam como sulcos, a fúria dos ventos e das águas que dilaceram.
Não sei se a voz de todos nós, um dia se cala no corpo ferido ou na alma contida, ou em nenhum dos dois. Não importa.
Gosto de pensar que mesmo a paisagem sendo igual, ainda assim, os meus olhos verão de forma diferente e será então sempre diferente, porque nem as sombras são iguais... essas voláteis fiéis a um sol que todos os dias nasce.
Na verdade, não há tempestades que um qualquer céu pudesse denunciar. A alma... é ela própria a tempestade. Sem chuva ou piedade, apenas o silêncio das nuvens densas.
Ah corre, corre e sente o vento no rosto, deixa que a chuva te molhe, e canta!... Porque não? Amanhã não verás assim...
"...nem as sombras são iguais..." mesmo que sejamos os mesmos, porque o sol modela o espaço que nos circunda e nos inunda a alma, de luz, ou sombra.
ResponderEliminarGostei, sobretudo desta imagem, muito visual para mim.
Miguel,
ResponderEliminara imagem é linda, apetece lá estar... partilhar o verde e a alegria de braços abertos!
Beijinho