lavei os braços até ao cotovelo, fechei a porta ao dia, alisei a mecha do cabelo para sempre despenteado, e pus-me na rua como num grito calado de liberdade que só as ruas pressentiram.
Enquanto esperava o comboio, sentia a crescente descompressão do dia. Entrei, escolhi o meu lugar e sentei-me com saudades do livro que leio, tirei-o sofregamente da mala, na esperança de um momento quieto... mas breve, um casal repetitivo, nas suas expressões sonoras e em cascata de palavras infectaram o tal momento... e um barulho surgia rítmico de um qualquer objecto que o carlos alberto (fixei o nome que ela repetia drasticamente) insistia em manusear, quase com uma felicidade inexplicável, diria quase, com uma loucura própria.
No silêncio por mim ansiado consegui ler minutos escassos do livro.
Saí do comboio e logo senti o vento fresco bafejado pela serra de Sintra, em breve será outono.
Pensei. É bom sentir as estações passarem por mim. Que também o tempo tem dias e os dias têm cores, perfumes e emoções. É bom sentir a eloquência do verão, a melancolia do outono... é bom sentir o relógio das estações à flor da pele.
Enquanto esperava o comboio, sentia a crescente descompressão do dia. Entrei, escolhi o meu lugar e sentei-me com saudades do livro que leio, tirei-o sofregamente da mala, na esperança de um momento quieto... mas breve, um casal repetitivo, nas suas expressões sonoras e em cascata de palavras infectaram o tal momento... e um barulho surgia rítmico de um qualquer objecto que o carlos alberto (fixei o nome que ela repetia drasticamente) insistia em manusear, quase com uma felicidade inexplicável, diria quase, com uma loucura própria.
No silêncio por mim ansiado consegui ler minutos escassos do livro.
Saí do comboio e logo senti o vento fresco bafejado pela serra de Sintra, em breve será outono.
Pensei. É bom sentir as estações passarem por mim. Que também o tempo tem dias e os dias têm cores, perfumes e emoções. É bom sentir a eloquência do verão, a melancolia do outono... é bom sentir o relógio das estações à flor da pele.
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Deito-me ao comprido no tempo
Oiço os silêncios que me acordam
Sou um todo cansado
Haverá ruas que de mim se lembram?
Deito-me ao comprido no tempo
Oiço os silêncios que me acordam
Sou um todo cansado
Haverá ruas que de mim se lembram?
Na limpidez do texto e do tempo, a ambiguidade das estações do ano e das dos comboios...
ResponderEliminare a aparente calma...
Há um toque neste texto que me seduz, remetendo-me para o desassossego da importância da marca que (não) deixamos, dos bilhetes de comboio que compramos, dos labirintos do nosso olhar...
ResponderEliminarbeijo :)
as viagens de comboio, são viagens do pensamento, são viagens no tempo, são imagens que me fazem falar... quase poderiam existir as "crónicas de um comboio" :-)
ResponderEliminaraparente calma porque por dentro demora mais tempo a serenar...
Beijinho Miguel!
um desassossego que se revela nos labirintos do olhar... por mais que se precise de um olhar introspectivo e sem rodeios, os mil olhos estão sempre alerta e perdem-se com o pensamento...
ResponderEliminarBeijinho AC!
é bom sentir...
ResponderEliminare então os silêncios que nos despertam...
sensacionista e sensacional o texto!
beijinho!
sim, os silêncios que nos despertam... quando num profundo silêncio interior, renasce a voz mais calada.
ResponderEliminarObg amigo, beijinho!
é a minha primeira visita e acho que vou voltar! "É bom sentir as estações passarem por mim" - eu pensei isto tantas vezes e sem ideia de que era a única a gostar de fazer de audiência ao tempo!
ResponderEliminaradorei mesmo!
um beijo*
Olá Rach, bem vinda!
ResponderEliminarnão seremos certamente as únicas a admirar as fases do tempo...
fui espreitar o(s) teu(s) espaço(s), gostei muito, quero lá passar com toda a calma.
beijinho!
Como sempre gostei muito de te ler nas emoções/sensações que escreveste ao sabor de uma crónica...de comboio.
ResponderEliminaré bom sentir, sinal de que somos nós que vivemos a nossa vida e não a vida que passa por nós.
beijo, Andy
"...sinal de que somos nós que vivemos a nossa vida e não a vida que passa por nós."
ResponderEliminarverdade Em@!
Obg e um grande beijinho
Andy
ResponderEliminarVim conhecer-te, para além do registo de um agradecimento sincero que me guiou até cá.
Encontro-te, Ser imenso. Numa escrita que materializa um sentir profundo, um olhar diferente que ecoa para além de todos os silêncios solitários dos dias. É leve e pura a tua escrita, nesse desvendar de vida que está dentro de ti.
É muito bom ler-te!
Um abraço
Maria João, eu é que agradeço o abraço das tuas palavras (assim o sinto)... teres vindo até aqui, foi um sorriso imenso!
ResponderEliminaroutro abraço