15.8.10

mais um post escrito a horas impróprias, às quais já nem a lua me pisca o olho... agora só de manhã irei escrever no teclado mais atordoado. Mais um escrito na cozinha, onde na penumbra do candeeiro de mesa e no meio silêncio da casa, as palavras ousaram desaguar como num porto de abrigo.
O calendário preto já vai mais que a meio, as folhas já se curvam mês após mês, o único calendário de parede que gostei até hoje, acho-os sempre pirosos e sem graça e foram precisos 36 anos para encontrá-lo mas só durará um ano, a verdade é que me demoro mais no fundo preto que emoldura as paisagens, do que no tempo que passa indelével e fugaz como o tic-tac do relógio.
E pouco diferente desta hora, sobre a madrugada, quando o sono vai nos labirintos mais recônditos dos sonhos, serei acordada pelos passos dos mais pequenos, porque assim é todas as noites, e mesmo antes de lhes sentir as mãos pequenas e doces tactearem o meu corpo cansado, já lhes pressinto os passos seguros.
E o tempo não se resume apenas à imagem furtiva de folhear os meses, sem sentir o peso deles. Seria uma mentira...
Não me fixo a datas, os números passam por mim e não os recordo, quem me conhece dá o desconto e perdoa, nem sempre :-)
As imagens,os detalhes, os acontecimentos e emoções vividas, esses ficam tatuados sem terem a importância de um dia gravado na memória de um calendário.
O que levo do tempo, o espelho mostra-me... como que um infinito na sombra dos olhos, a cor do tempo.

8 comentários:

  1. Andy! Boa noite.
    revi-me em algumas partes do teu texto, que apesar de autobiográfico pode vestir a pele de muitas de nós... bonitas imagens, bom texto.
    beijo no coração.

    tenho um bocado de dificuldade em ler o teu azul...(sorry, não sintas isto como crítica é mesmo uma dificuldade minha).o azul é bonito, mas leio-o mal, pode também ser da letra...

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  2. Boa noite Em@!
    sem dúvida gratificante saber que alguém se revê no que se escreve :-)
    Obg!
    beijo enorme

    o azul, não é dificuldade tua. aconteceu na mudança de fundo e também dei conta disso, vou tentar saber resolver :-)

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  3. Em@
    Não sabia que tinhas voltado. Vou já lá.
    Tenho andado por aqui, porque a prosa da Andy é tão aquosa como a tua poesia e bebe-se saciando.
    Curiosamente, essa das datas e calendários, é um dos meus fracos... se calhar porque só me preocupo com o futuro.
    Andy
    Quanto ao azul, estou de acordo com a Em@. Basta ir ao Design e em "Avançadas" e em "Cor de hiperligação visitada" escolher a cor e o tom.

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  4. andy, esses frutos expostos ao calor vertem o mais doce dos sucos! belo texto! fantásticas imagens! excelente forma a tua :)
    um beijinho!

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  5. Miguel,
    um obg muito sentido pelas suas palavras.

    as datas... na verdade pouco importam os dias, se a memória dos afectos é aquela que perdura!
    o azul, vou tratar disso.
    beijinho!

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  6. Jorge,
    esses frutos, sobejamente doces para todo o sempre!

    muito obg por tão incentivadoras palavras! :-)
    beijinho

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  7. Prosa intimista, da boa, e a terminar em grande...
    "O que levo do tempo, o espelho mostra-me... como que um infinito na sombra dos olhos, a cor do tempo."

    Beijo :)

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  8. AC,
    obg pela sua presença, e as suas palavras...um sopro de motivação :-)
    beijinho!

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